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Distância pode ser visitada até ao dia 24 de Junho, na Circus Network. DR
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Fedor pintou os rostos dos companheiros de viagem. DR

Fedor trocou as paredes pelas telas para pintar o Sudeste asiático

Uma viagem de um mês ao Sudeste asiático deu nisto. Distância é o nome da nova exposição de Fedor. Para ver no Porto até 24 de Junho

A aventura começou no início do ano em Hong Kong, mas passou por Macau, pelas Filipinas, por Singapura e pelo Vietname. Um mês depois, Fedor regressou a Portugal com vontade de dar vida aos momentos que a máquina fotográfica captara. O resultado está em Distância, exposição inaugurada no início deste mês na Circus Network, na Rua do Rosário, no Porto, e que pode ser visitada até 24 de Junho.

A exposição estava marcada há já algum tempo, mas Fedor, alter-ego artístico de Tiago Braga, ainda não tinha um conceito em mente. Mas sabia que não podia recusar o desafio lançado por Ana Muska e André Carvalho, os proprietários da galeria que também o acompanharam na viagem. O difícil foi decidir o que fazer.

"Houve muita coisa na viagem que me influenciou", confessa ao P3. Por exemplo, os veículos que, acredita, têm "um bocadinho a ver com a linguagem" que usa. "Eu gosto muito de pormenor e de imagens complexas e gostei da desorganização toda e da quantidade de pessoas." Sem dar conta, a viagem pelo Sudeste asiático tornou-se assim no ponto de partida. O movimento de Hong Kong, os veículos das Filipinas, o trânsito caótico e os pequenos barcos do Vietname não lhe ficaram indiferentes, bem como a simpatia e a hospitalidade que encontrou em todos os locais. 

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A viagem de um mês é contada em tons de azul, laranja, rosa e lilás. DR

Chegou cansado, mas com vontade de pôr mãos à obra. Tem sido sempre assim, diz o jovem de 32 anos. A motivação vem a dobrar de cada vez que levanta voo. "O facto de estar noutro sítio e de não ter os materiais que tenho para produzir música ou para desenhar faz-me absorver influências e quando chego normalmente estou cheio de vontade para trabalhar", conta o artista do Porto, conhecido sobretudo pelas paredes que pinta na rua, mas também pelo seu trabalho como DJ. Pegou em sprays, marcadores, tintas acrílicas e pincéis e dois meses depois nasceram oito telas que reflectem o estilo de vida dos países que visitou.

Do caos para a serenidade

As fotografias tiradas pelo artista serviram de base às pinturas e remetem para uma permanente viagem: ora representam veículos, ora foram tiradas a bordo. É o caso das três telas que retratam os rostos de alguns dos amigos que o acompanhavam: "A do Pi estávamos num barco em Halong Bay, foi no final da viagem, já estávamos exaustos e foi um dos pontos altos da viagem. A do Caver foi tirada nas Filipinas, a fazer a viagem entre duas ilhas e a da Marta foi tirada no ferry em Hong Kong."

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Fedor pintou os rostos dos companheiros de viagem. DR

As outras pinturas mostram pessoas a passar por eles — o título Distância vem daí (e foi a última coisa a ser decidida). Saltam à vista os veículos, o vestuário e as expressões dos protagonistas. "Nas Filipinas temos o quadro com três crianças a brincar. Aquilo é uma zona muito degradada e eu tento captar um bocadinho isso, mas com cores mais alegres, tentando dar alguma energia", nota o artista. O azul, o laranja, o cor-de-rosa e o lilás, que sobressaem nas pinturas, transportam-nos ora para o caos, ora para a serenidade.

Quem está habituado a ver o trabalho de Fedor nas ruas pode ficar surpreendido. O artista não só explora outras temáticas, como aposta no retrato e usa pincéis: "Toda a exposição tem uma linguagem diferente do que eu habitualmente faço, foi pensada para galeria, porque normalmente faço um trabalho mais ilustrativo e de street art. Aqui quis fazer uma coisa mais limpinha, que se encaixasse melhor no espaço." O feedback tem sido bastante positivo — algumas das telas já estão mesmo vendidas. E em Outubro já tem marcada uma nova exposição no Porto (embora ainda não possa revelar o conceito).

Fedor tem vindo a colaborar com a Circus Network, inaugurada em 2012 por Ana Muska e André Carvalho, desde o primeiro evento. A galeria tem tido um papel activo na promoção e divulgação da arte portuguesa, com especial destaque para a ilustração, graffiti e arte urbana. "São uns grandes impulsionadores do que se passa no Porto", afirma o writer, que já assinou trabalhos como a reinterpretação do painel de azulejos "Ribeira Negra" de Júlio Resende e o mural da Rua Miguel Bombarda que evoca as personagens de Dom Quixote de La Mancha.