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Tesla despede 9% dos trabalhadores para salvar a empresa

A decisão foi anunciada pelo presidente executivo da empresa, Elon Musk, numa carta enviada aos colaboradores. O objectivo é reduzir custos.
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Elon Musk é o fundador da Tesla Reuters/Joe Skipper

Uma das empresas mais badaladas no sector automóvel está em maus lençóis. A Tesla, fundada pelo empresário Elon Musk, anunciou, nesta terça-feira, uma redução de 9% no número de trabalhadores, para cortar custos e salvar a empresa. A decisão foi anunciada pelo próprio Elon Musk, o empreendedor que pôs um dos carros dele a orbitar o planeta Terra (através da outra empresa dele, a SpaceX), mas que em década e meia de Tesla não conseguiu um único ano com resultados positivos. Esse histórico de prejuízos é aliás invocado pelo próprio Musk, no email que enviou aos funcionários e em que anuncia a necessidade de simplificar a “estrutura de gestão”.

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"Dado que a Tesla nunca deu lucro em quase 15 anos de existência, o lucro não é obviamente o que nos motiva. O que nos motiva é a nossa missão de acelerar a transição do mundo para a energia limpa e sustentável, contudo nunca completaremos essa missão se não demonstrarmos que podemos ter lucros sustentáveis", escreve Musk no texto que o próprio acabaria por divulgar no Twitter.

A empresa tem actualmente 46 mil pessoas e esta reorganização conduzirá ao corte de 4100 postos de trabalho. “A Tesla cresceu e desenvolveu-se de forma rápida ao longo dos últimos anos, o que resultou na duplicação de papéis e de algumas funções que, embora tenham feito sentido no passado, são difíceis de justificar actualmente”, afirma.

Esta reestruturação não é necessariamente uma surpresa para os trabalhadores. Num memorando interno de Maio, já se equacionava uma “reorganização minuciosa” para cortar com as actividades que não fossem “vitais” para o sucesso da empresa.

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O Tesla Model 3 REUTERS/Jason Lee

Na carta, Musk explica que os cortes não vão atingir o sector da produção, prometendo por isso que a “capacidade de chegar aos objectivos de produção do Model 3” não será afectada. A empresa espera conseguir alcançar um volume de produção de cinco mil carros Model 3 por semana até ao final de Junho.

Prejuízos agravados em 2017

O fim da parceria com a Home Depot, retalhista da área da construção e decoração norte-americana, é a outra decisão tomada para recentrar a actividade da Tesla. Actualmente, a Home Depot vende painéis solares e outros produtos da marca. O fundador da empresa quer canalizar essas vendas para as lojas e para as vendas online da Tesla.

Elon Musk é um dos figurões da nova economia norte-americana. Quase tudo o que faz ou diz se transforma em notícia, é analisado à lupa, elogiado ou criticado. Dizem que tem objectivos estratosféricos, como produzir um carro eléctrico (o Model 3) a preços moderados para impulsionar as massas a abandonarem os carros movidos a combustíveis fósseis e a adoptarem a energia solar ou eléctrica, mais limpa. Os primeiros 30 exemplares do Model 3 saíram das linhas de produção no Verão de 2017.

A empresa ainda não encontrou forma de resolver todos os problemas que tem enfrentado para satisfazer as encomendas e as promessas. Por causa disso, no início de 2018, a Tesla declarou ao mercado que os prejuízos se agravaram em 2017. A capacidade de torrar dinheiro, dizem os analistas, só é comparável em grandeza à capacidade de Elon Musk – o homem que quer ser marciano – de sonhar com um futuro melhor para a humanidade.