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“Na Galiza instalou-se uma narcocultura”

Passou-se da ostentação à discrição. Do marketing social dos “narcos” a uma quase opacidade de costumes. Mas o tráfico de droga continua. A Justiça aposta na pista do dinheiro para acabar com a lavagem. Operações a que Portugal não esteve imune.

É a história do narcotráfico galego a que Nacho Carretero descreve ao longo de 295 páginas em Farinha (edições Desassossego), um livro que depois de dez edições e 30 mil exemplares vendidos está apreendido em Espanha (ver texto abaixo). Tem um título fácil: Fariña, no original, Farinha em português, uma das designações cifradas da cocaína. O relato começa em finais do século XIX, na raia seca como berço do contrabando com o outro vizinho peninsular, e desagua numa costa de 1498 quilómetros recortada por enseadas, com desembocaduras tentaculares nas rias e em portos de abrigos naturais. Foi na costa que, do contrabando do tabaco se passou ao narcotráfico, numa aproximação ditada pelo domínio comum do castelhano entre os clãs da Galiza e os cartéis colombianos de Cali e Medellin. “Na Galiza instalou-se uma narcocultura”, sintetiza Carretero ao P2 a evolução da trama.

As actividades ilícitas na raia galego-portuguesa ilustram a história e as vicissitudes económicas dos dois países. Não é por acaso que os territórios de Portugal e Espanha confinantes com a fronteira são dos mais pobres de cada nação. O ilícito era sobrevivência em Espanha e exercício de desenrasca em Portugal.

Do contrabando de bens de primeira necessidade após a Guerra Civil (1936/39): quando a luz eléctrica de Portugal ofuscava as aldeias galegas iluminadas por lamparinas, o aroma do café era conforto e a penicilina uma urgência escassa do outro lado. Era uma economia paralela, a única possibilitada pela pobreza e ditada pela emergência, numa peculiar aproximação do mercado ao consumidor, em que o mercador – Portugal – supria pelo contrabando as misérias de um país devastado pela guerra e pela fome.

Os velhos da raia ainda contam a história. Um vizinho cruzava diariamente a fronteira entre a Galiza e Portugal de bicicleta, carregando sempre um saco ao ombro. Cada vez que atravessava a raia, a Guarda Civil mandava-o parar e perguntava-lhe o que levava no saco. O homem, paciente e educado, mostrava sempre o conteúdo. ‘É só carvão’, explicava. E os agentes, ofendidos, deixavam-no passar. No outro lado a cena repetia-se: a Guarda Fiscal portuguesa (conhecida pelos “guardinhas”) também revistava o saco do homem e deixavam-no continuar a pedalar. A mesma cena repetiu-se durante anos perante o mal-estar crescente dos guardas fronteiriços. Não só eram incapazes de encontrar material de contrabando como em cada nova revista sujavam o uniforme de carvão. (…) O segredo do homem da raia esteve à vista ao longo de todos esses anos. Era um contrabandista de bicicletas.

Este relato, do qual Nacho Carretero não conhece a origem e a veracidade, passou de geração em geração no imaginário galego. Lenda? Justificação? É uma espécie de ode. Nele respira a astúcia face à norma, o engenho contra a ordem, está a desobediência de mãos dadas com a sobrevivência. A partir dos anos 50, com menos carências básicas em Espanha, o contrabando passa a mercadorias que não são de primeira necessidade: sobresselentes de automóveis, cobre, lenços, arame, cola…

Uma década depois, há uma inversão. A raia é procurada pelos desertores da guerra colonial a caminho do exílio. Os “carneiros”, como na Galiza são apelidados os contrabandistas reconvertidos a passadores, cobravam 131 euros pelo salto de um mancebo. Mas é no tabaco que vem de Portugal que as redes centram o seu negócio e moldam a sua estrutura. “Quando os contrabandistas galegos têm poder, as multinacionais do tabaco aliam-se a eles, passando-lhes material defeituoso e excedentário, ou seja, nos anos 50 os galegos trabalharam para os portugueses e, depois, superaram-nos, convertendo-se em distribuidores de tabaco em grande escala”, explica Carretero.

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Nacho Carretero, jornalista galego, aborda o passado e o presente das redes de contrabando e tráfico DR

Donos daquilo tudo

Um negócio rentável, como refere o autor. Na década de 80 do século passado, 1/3 do tabaco ilegal que entrava na Europa era movimentado pela Galiza. As Finanças espanholas estimam, aliás, que por ano deixaram de cobrar o equivalente a 60 milhões de euros em impostos. E, entre 1980 e 82, as 150 tabacarias galegas deixaram de vender por ano cinco milhões de euros de tabaco legal.

Esta mudança de escala dá-lhes fortaleza económica. Converteu os contrabandistas em donos daquilo tudo, em ícones de sucesso, em beneméritos sociais – um cocktail previsível. “O contrabando de tabaco em 1970 e 1980 não estava mal visto, dava emprego aos jovens de uma região que se considerava abandonada e maltratada por Madrid. Para os políticos locais, era bom ter proximidade destes líderes da comunidade”, constata Nacho Carretero.

Os contrabandistas eram líderes de comunidade nas suas mais diversas facetas. Farinha dá exemplos: da reconstrução de um telhado da igreja às festas patronais – que chegaram a ser adiadas um dia para as traineiras ocupadas no contrabando do Winston regressarem a tempo de desfilar engalanadas; o apoio, patriarcal, aos que eram presos, das custas dos advogados às necessidades da família. Foi assim que uma sociedade paralela se construiu à margem dos poderes do Estado. E corroeu-o. Como sempre, os políticos correram atrás do prejuízo.

“O maior contrabandista de tabaco era Vicente Otero, amigo íntimo de Manuel Fraga Iribarne (fundador da Aliança Popular, antecessora do PP, um dos pais da Constituição espanhola e presidente do governo regional durante anos), que financiou campanhas”, revela Carretero. “Um juiz disse-me que todos os partidos tinham sido financiados pelo contrabando e, mais tarde, pelo narcotráfico”, explica. Numa comunidade pobre, com problemas estruturais que a manta do Estado não cobria, uma resplandecente economia paralela ilegal dava trabalho aos locais, entrava nos partidos e convivia com a ordem institucional apurada em eleições livres.

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“Então havia um prometedor jovem que presidia à deputação de Pontevedra que não gostava nada que [os contrabandistas] “Terito”, “Nene” e outros estivessem tão perto (alguns dentro) do partido. Aquele díscolo chamava-se Mariano Rajoy e enfrentou Manuel Fraga devido a estes estreitos laços que o patrão tinha com os contrabandistas. Fraga não gostou do relevo de Rajoy e deu-lhe um conselho que já faz parte da história popular da Galiza: “Mariano vai para Madrid, aprende galego, casa-te e tem filhos”, relata o autor em Fariña. E assim Rajoy fez.

O confronto com o chefe Iribarne ficou na memória de quem foi, até há pouco, presidente do Governo espanhol. Rezam as crónicas que o livro lhe foi oferecido quando apareceu nos escaparates, em 2015, por Pablo Iglésias, líder de Podemos. Depois da leitura, Mariano escreveu a Nacho Carretero.

Caro Nacho. Obrigado por Fariña, já o li. Está muito bem documentado. Imagino que terá levado muito tempo a escrever e é um bom contributo. Oxalá não tenhas de voltar a escrever sobre o tema. Seria uma boa notícia. Um forte abraço. Muito obrigado. Mariano Rajoy.

Assim agradeceu quem liderou até há uma semana o executivo espanhol. Rajoy, sempre acusado de falta de reflexos na sua acção política, quando era um jovem a começar carreira, teve a intuição do problema – de que os poderes do Estado, a economia informal e as actividades clandestinas não eram bom par de dança. Tinha razão.

“Quando o tabaco perde valor, aparece uma mercadoria mais rentável, o haxixe e, depois, a cocaína”, prossegue o autor. “O salto para o haxixe e a lavagem de dinheiro na Suíça estreita os laços com os narcos marroquinos, argelinos e sírios.” Internacionaliza os galegos, abre-lhes horizontes, quando, em finais dos anos 70 e princípios dos 80 [do século passado], era aplicada a mesma legislação do contrabando ao narcotráfico. “Afinal tinha o mesmo risco e, sobretudo, mais lucro”, destaca Carretero.

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Apreensão de cocaína num recanto da costa galega não identificado Xulio Villarino/Cover/Getty Images

Só a partir de 1982 o contrabando de tabaco passou a ser delito, até então era uma falta. Foi esta a equação que levou os contrabandistas de tabaco, “os senhores do fume” como eram conhecidos, a darem o salto qualitativo.

O primeiro a entrar foi Sito Miñanco. Preso em 1984 em Carabanchel, nos arredores de Madrid, teve contacto com detidos do grupo de Pablo Escobar, do cartel de Medellín. Tinham algo em comum: era no Panamá que Escobar lavava o dinheiro da cocaína e Miñanco os proveitos do contrabando de tabaco.

Não apenas os islamistas se radicalizam nas prisões – no velho presídio de Carabanchel, segundo o autor, Sito Miñanco, a quem já tinha sido sugerida a mudança de ramo, toma a decisão. Na cela ao lado tinha contactos fáceis com os fornecedores, dinheiro nos mesmos paraísos fiscais para a lavagem e um modus operandi comprovado, com barcos de pesca em alto-mar, lanchas rápidas a poucas milhas da costa, os todo-o-terreno para o transporte e uma completa infra-estrutura em terra: “estacas”, vigilantes, esconderijos e favores comprados nas forças de segurança. E um incomensurável mercado à sua espera.

Recorda Nacho Carretero que no início dos anos 90 do século XX a Drug Enforcement Administration, a DEA norte-americana, que então começou a trabalhar com os espanhóis, estimava em quase 80% a cocaína a circular na Europa que entrava pela Galiza. Os barcos de pesca vindos da Colômbia fundeavam a 200 milhas das águas internacionais, onde acorriam lanchas cada vez maiores e mais potentes com pilotos treinados durante décadas no contrabando de tabaco e conhecedores de cada rocha das rias (ver infografia). De Espanha os fardos rumavam aos consumidores finais no Reino Unido, França, Itália, Suécia, Polónia, Letónia e Rússia.

Garzón, vales um montón

Tudo corria bem aos narco galegos que exibiam a sua riqueza com o mesmo à vontade que frequentavam os corredores do poder. “Têm uma impunidade total, ostentam a riqueza, conduzem Ferraris, são os reis da Galiza, têm contactos políticos, corrompem as autoridades, beneficiam de um marketing social”, lembra Carretero. Só no final dos anos 80 parte da sociedade galega começa a reagir devido à geração perdida, os jovens mortos e afectados pelo consumo”, salienta. “São os protestos das Mães contra a Droga, que despertam os meios de comunicação e as forças da autoridade. É a pressão da sociedade civil que leva à Operação Nécora”, reconhece.

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Sito Miñanco, considerado o "Pablo Escobar galego"

Na madrugada de 12 de Junho de 1990, o juiz Baltazar Garzón, o magistrado Antidroga Javier Zaragoza e responsáveis da polícia desencadeiam uma operação sem precedentes. Na noite de 11 de Junho, colunas policiais partem de Madrid no maior sigilo. Na esquadra central da Polícia Nacional de Santiago de Compostela amontoam-se agentes entre densas nuvens de fumo e de dúvidas. A ordem de partida é dada, ainda o dia não nascera. Chegados às carrinhas, os agentes encontram no volante um sobrescrito com o destino e as ordens.

Que grande confusão que arranjámos.

Foi esta a confidência de Garzón a Zaragoza contemplando o início da marcha das furgonetas, com agentes armados de metralhadoras. O objectivo era apanhar os narcos em pijama. E assim aconteceu. “No julgamento, a maioria viria a ser absolvida devido a problemas processuais, mas posteriormente houve novas investigações e acabaram quase todos por ser condenados”, recorda Nacho Carretero.

“No entanto, a Operação Nécora foi a primeira reacção das autoridades que, finalmente, perceberam que a Galiza se estava a aproximar da Sicília, com autarcas processados, políticos nas proximidades das redes, uma teia de advogados em trânsito entre os narcos e a política; travou-se o poder político dos narcotráficos”, admite o autor. Daí o drama galego não ter a densidade dos relatos de Roberto Saviano sobre a Itália meridional.

Mas houve um antes e depois no despertar das consciências na Galiza e em Espanha. Aos gritos de “Garzón, vales un montón” (Garzón vales muito) as Mães contra a Droga concentraram-se às portas dos paços e dos castelos convertidos em mansões onde residiam os barões da droga, desfilaram pelas ruas vitoriando o primeiro grande golpe e desafiaram os esbirros dos clãs. A luta de sofrimento pelos danos que a droga infligira aos seus filhos tivera uma primeira consequência – e reconhecimento.

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Comecei a ler, ele estava sentado com a mão na testa e a cabeça baixa. Não se movia. Quando terminei, levantou a cabeça e vi que estava a chorar.

Este é o relato de Carmen Avendaño de uma reunião com Manuel Fraga Iribarne, presidente da Xunta da Galiza, o governo regional. Carmen, uma das Mães contra a Droga, acabara de expor ao governante a situação dos jovens dizimados. Anos antes, Fraga reagira mal ao reparo de Rajoy pela sua amizade com o contrabandista “Terito”. Os bens dos traficantes foram apreendidos, das frotas sumptuosas aos iates, os pasos e vinhedos ficaram sob administração judicial. Nos leilões são apenas admitidas sociedades que foram escrutinadas, para evitar a recompra.

Fuga ao fisco, como Al Capone

 A classe política reagiu mas sem linearidade. Em 2013, El País publicou uma foto do Verão de 1995 do actual presidente da xunta, Alberto Nuñez Feijóo, e então número dois da Secretaria de Saúde da Galiza, no iate de Marcial Dorado, um senhor do fume”, condenado pela venda do barco South Sea, que viria a ser utilizado para uma descarga de cocaína, e por lavagem de dinheiro. “É verdade que Marcial Dourado foi um contrabandista de tabaco, mas isso não quer dizer que não se dedicasse ao narcotráfico”, afirma a sentença da Audiência Nacional.

Mesmo na Galiza, peritos afirmam que Marcial foi dos poucos que não passaram dos maços de tabaco para os fardos de cocaína, o que não converte o contrabando em actividade legal. Há cinco anos, Nuñez Feijóo disse que a amizade era pessoal, que não estava a par dos negócios de Marcial e que cortaram em 2003. Feijóo é um dos nomes no totobola espanhol para a direcção do PP depois do abandono de Rajoy.

“Hoje, a política separou-se do narcotráfico, a convivência pode ser mortal para uma carreira política, mas a Galiza continua a ter tolerância para com o narcotráfico”, lamenta Nacho Carretero. “Na Galiza instalou-se uma narcocultura, os colombianos sempre apostaram nos galegos, confiam nas suas alianças, continua a entrar coca, mas os narcos são agora discretos e a sociedade não os apoia”, prossegue.

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Nacho Carretero DR

O tráfico continua, mas mudaram procedimentos. “Os narcotraficantes agora não entram em contacto com a droga, o que a Justiça tenta é seguir o rasto do dinheiro, a lavagem do dinheiro. É muito difícil condenar alguém por narcotráfico, procura-se a condenação por lavagem de capitais e fuga ao fisco”, explica. Um clássico que já vem do tempo de Al Capone.

Mas mantém-se o narcotráfico. “Na Galiza, a droga entra por lanchas, no Sul de Espanha em contentores de quatro a seis toneladas, mas agora os galegos são narcotransportadores, ficam com entre 20% a 30% da coca que vendem novamente aos colombianos, que, depois, a colocam em Espanha e pela Europa”, explica. Como sempre, fica droga na Galiza. “Há um acesso fácil e muito consumo de coca”, destaca Carretero.

Também se mantém um atlas de geografia de conveniência, consoante o tipo de estupefaciente: “A Galiza está na rota da cocaína, o haxixe vem do Norte de África, a heroína tem origem no Afeganistão, é distribuída pela Turquia e entra na Europa pela Itália, Grécia e Holanda.” É igualmente mantida uma prática de décadas. “Os grandes traficantes galegos nunca estiveram próximo da heroína, nos anos 80 diziam que matava muita gente, mas houve casos em que deram o seu beneplácito a contactos com clãs búlgaros e russos e com algumas famílias ciganas que a distribuíam por toda a Espanha”, adianta. A confiança mútua, que leva os narcos galegos a confiar a vida de um mensageiro aos clãs colombianos, enquanto a droga não chega ao destino, não vigora com os grupos do Leste. Também é diferente a língua.

Rede dirigida do Porto

Durante mais de 50 anos no século XX, o contrabando mais rentável, o do tabaco, animou a raia. “Os galegos trabalharam muito tempo com os portugueses – aliás, em 1983 muitos fogem para Portugal, para a casa dos seus sócios do outro lado da fronteira”, recorda Carretero.

Deste lado da fronteira também houve o salto. “Há estruturas em Portugal com ligações ao narcotráfico galego. Basta recordar o Minho Connection de Manso Preto”, prossegue. De resto, no âmbito das investigações preliminares à Operação Nécora, o juiz Garzón esteve no Porto a investigar a passagem de cocaína para Espanha através do Norte de Portugal. A proximidade, a porosidade da fronteira e o hábito ditaram outras situações, reveladas em Farinha.

Cascais foi uma das escalas do iate de Marcial Dorado, no Verão de 1995, com Nuñez Feijóo no deck. Uma paragem ocasional, sem significado para além do interesse turístico, embora Dorado fosse detentor de uma empresa vinícola e de quatro quintas em Portugal. Também foi por motivos ímpares, de segurança, que Ricardo Portaballes, confidente de Garzón na Operação Nécora, viveu em Portugal e talvez por aqui ainda esteja.

Mas há factos com outra casuística. Luis Falcón, “Falconetti”, com 73 anos e já retirado do negócio, passou do tabaco ao haxixe. Nos anos de 1980, quando lhe negaram uma licença urbanística no município de Vilanova de Arousa, colocou uma pistola em cima da mesa e disse ao alcaide que sempre poderia trazer uns tipos de Portugal para lhe dar uma ensinadela, o que custava apenas um milhão de pesetas. A obra avançou.

Josefa Charline Pomares, filha do patriarca Manuel Charline Gama, foi detida em 2001 no Porto e condenada em Espanha a 11 anos de prisão. Dirigiu o clã dos Charlines a partir do Norte, entre 1994 e 2000, onde tinha uma empresa de vinhos.

Já o chefe dos Romas, Ramiro Vásquez Roma, um marinheiro de Cambados que prosperou no negócio de embarcações de recreio, preso em 2007, estendeu a Viana do Castelo a sua actividade de construtor de lanchas. No estaleiro minhoto, construiu uma potente embarcação de 25 metros, a pedido de um grupo de traficantes marroquinos.