Após atitude "deprimente" de Trump, Merkel repete que "a Europa deve tomar o destino nas suas mãos"

Chanceler alemã reitera que os europeus vão aplicar tarifas sobre as importações norte-americanas após ruptura entre EUA e os aliados na cimeira do G7 no Quebeque.

Merkel em entrevista à ARD
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Merkel em entrevista à ARD LUSA/NDR/Wolfgang Borrs HANDOUT

A União Europeia vai implementar medidas retaliatórias face às tarifas norte-americanas sobre as importações de aço e alumínio, declarou este domingo a chanceler alemã Angela Merkel em entrevista à radiotelevisão germânica ARD. “Não permitiremos que sejamos novamente penalizados. Em vez disso, vamos agir em conformidade”, afirmou. A acção será tomada de acordo com as leis da Organização Mundial do Comércio, disse.

A democrata cristã disse ainda lamentar o comportamento do Presidente dos EUA Donald Trump na cimeira do G7 no Quebeque, Canadá.

“Retirar [o apoio ao comunicado final da cimeira], por assim dizer, através do Twitter, é obviamente… desanimador e um pouco deprimente”, disse à ARD. A declaração final do encontro, disse, tinha sido "negociada arduamente".

O encontro no Quebeque ficou marcado pelo aprofundamento das divisões entre Washington e os seus tradicionais aliados (europeus, japoneses e canadianos) em matéria de política comercial e económica.

“A Europa deve tomar o seu destino nas suas mãos, cada vez mais. Nós, europeus, temos de defender os nossos princípios”, disse a chanceler alemã, recuperando declarações que tem repetido desde a chegada de Trump à Casa Branca, e defendendo uma maior cooperação entre o continente, o Canadá e o Japão, em vez de seguir "imprudentemente" os EUA.

No entanto, sublinhou, o incidente no Quebeque não impedirá a chanceler de continuar a dialogar com Trump. "Continua a haver boas razões para lutar pela parceria transatlântica", disse.

Questionada sobre outro foco de tensão com Trump, a exigência norte-americana do regresso da Rússia ao fórum das nações mais industrializadas, Merkel disse conceber a reentrada de Moscovo, mas que esta dependerá da implementação do plano de paz na Ucrânia.