O que explica os cancelamentos de séries na Fox?

Além das habituais razões que podem levar ao cancelamento de uma série (como a falta de popularidade ou o prejuízo quanto aos custos de produção), as compras entre canais fazem com que a produção destas séries nos EUA seja afectada — e isso reflecte-se na distribuição mundial.

Chelsea Peretti, Melissa Fumero, Terry Crews, Bloqueador de Dirk, Brooklyn Nine-Nine, Andy Samberg, Brooklyn Nine-Nine Temporada 3
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Michael Schur e Daniel J. Goor são os criadores da série Brooklyn Nine-Nine DR

The Last Man on Earth, Lucifer, Brooklyn Nine-Nine. São estas as séries que encabeçam a lista de cancelamentos da Fox, que apanhou muitos espectadores de surpresa no mês passado, dando-lhes escassas explicações para um corte tão abrupto. De casos anteriores, sabe-se que podem ser muitas as razões para que uma série seja cancelada: baixas audiências, falta de financiamento, uma mudança na estratégia de um canal. No caso da Fox, é sobretudo esta última opção que está em jogo.

Entre a possível compra do canal pela Disney e a aquisição dos direitos de transmissão de futebol americano, as renovações e cancelamentos da Fox são sintomáticos de uma rede televisiva em transformação. A partir de Setembro, haverá uma redução do tempo de canal disponível para séries nos Estados Unidos: a compra de direitos desportivos da liga NFL (a partir deste ano até 2023) fará com que as noites de quinta-feira passem a ser destinadas a futebol americano. Segundo a Hollywood Reporter, serão mais de 30 horas sugadas da programação existente pelo Thursday Night Football. Ainda que esta medida afecte sobretudo os EUA, a redução do tempo a preencher com séries é reflectida na distribuição mundial.

Outro dos factores que pode pesar nesta equação é a compra da 21st Centrury Fox (que detém a Fox) por parte da Disney, anunciada em Dezembro do ano passado, que poderá ditar alterações na grelha do canal e uma discrepância entre os conteúdos gravados em estúdio e os que chegam à televisão. Se a compra for concretizada, a Disney passará a deter os activos e grande parte dos negócios de entretenimento da Fox, incluindo os estúdios e os canais de televisão – os canais de notícias ficam de fora. A juntar aos parques temáticos, à Marvel Studios e à produtora Lucasfilm, a Disney ganhará o estatuto de maior empresa de entretenimento.

Entre as séries canceladas está The Last Man on Earth, (ia na quarta temporada), Lucifer (cuja terceira temporada acabou com um cliffhanger e fez com que se espalhasse nas redes sociais a irónica hashtag #SaveLucifer), O Exorcista (duas temporadas), The Mick (duas temporadas) e Brooklyn Nine-Nine (cinco temporadas), a que mais agitação causou e que viria a ser rapidamente resgatada pela rede de televisão NBC.

Brooklyn Nine-Nine soma mais de 100 episódios e foca-se nas intempéries de um grupo de detectives do departamento de polícia de Nova Iorque; em Portugal, é exibida na Fox Comedy. Protagonizada por Andy Samberg, esta série ganhou dois Globos de Ouro em 2014 (melhor série de comédia e melhor actor de comédia) e era, da leva de séries canceladas, a única produzida fora da Fox, nos estúdios da Universal Television.