Piaf na voz de Viviane: “Arrepio-me a cantar estas canções”

A cantora apresenta em Lisboa, no Teatro da Trindade, um espectáculo só com canções de Édith Piaf, tema do seu último disco. Este sábado, às 21h30.

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Viviane fotografada para o disco Viviane Canta Piaf RON ISARIN

Ao sexto disco, Viviane decidiu homenagear Édith Piaf. “São umas aspas que eu decidi abrir na minha carreira, porque me apeteceu”, diz a cantora ao PÚBLICO. Nascida em França, em Nice, em 14 de Maio de 1972, e radicada em Portugal desde os 13 anos, foi a voz dos Entre Aspas e desde que iniciou uma carreira a solo já gravou seis discos em nome próprio: Amores Imperfeitos (2005), Viviane (2007), As Pequenas Gavetas do Amor (2011), Dia Novo (2014), Confidências (2015) e Viviane canta Piaf (2017), que apresenta ao vivo em Lisboa, no Teatro da Trindade, este sábado, às 21h30.

“Quando era pequenina, em França, ouvia a Édith Piaf como ouvia Juliette Gréco, Aznavour, Ferré, todos os grandes. Ouvia, mas não prestava grande atenção. Só mais tarde é que comecei a ouvi-los com outros ouvidos e a valorizá-los. E foi em Portugal que comecei a cantar algumas canções da Édith Piaf, por brincadeira.” Isso antes dos Entre Aspas, que ela formou com Tó Viegas em 1990. “Já é uma paixão algo antiga. Porque aquelas canções foram amadurecendo dentro de mim até chegarem a este disco.”

Disco que partiu de um espectáculo no Teatro das Figuras, em Faro. “Fui convidada, em 2016, a fazer três espectáculos diferentes. Fiz um de retrospectiva da minha carreira, outro da minha carreira a solo, e ainda faltava um tema. Como já tinha experimentado fazer canções da Édith Piaf ao vivo, porque não construir um espectáculo e trazer estas canções, que já muita gente deixou de ouvir, para o presente? E funcionou muito bem, encheu o teatro.” E assim nasceu o disco, lançado em Dezembro de 2017.

Escolher as canções obedeceu a um único impulso: “São as canções com que mais me identifico. E quis também mostrar as várias facetas da cantora. Porque há pessoas que só têm na memória as canções mais dramáticas, mas ela era extremamente irreverente. Cantou coisas como Johnny tu n’est pas um ange, que está aí [no disco] ou L’homme à la moto, que é história de um motoqueiro. E eu quis mostrar também esse lado.”

“Uma entrega enorme”

Esta identificação com as canções de Piaf tem, para Viviane, vários ângulos. “Há uma empatia: gosto da letra, gosto da música e dá-me gozo interpretar. Estou em palco e arrepio-me a cantar estas canções. Mexem comigo, é muito intenso. Mas também me divirto, ao mesmo tempo. Só se pode cantar estas canções com uma entrega enorme.”

O disco tem dez canções. Além das já citadas Johhny e L’Homme à la moto, há La vie en rose, La foule, Non rien de rien, Comme moi, Padam padam, L’accordéoniste, Les flons flons du bal e, a fechar, L’hymne à l’amour. Mas em palco, nos 90 minutos que dura o espectáculo, ouvem-se outras que não foram gravadas. “Para lá dessas, há canções fantásticas que não pude incluir no disco e estão no espectáculo. Por exemplo : Milord, Sous le ciel de Paris ou Les amants d’un jour. Vai haver uma surpresa, lá pelo meio, e as pessoas ficam emocionadas quando vêem aquele momento especial.”

O espectáculo Viviane Canta Piaf já foi apresentado este ano, entre outras salas, na Casa da Música, no Porto, a 17 de Maio. Com Viviane (voz e flauta), estão em palco Tó Viegas (guitarra acústica e guitarra portuguesa), Filipe Valentim (piano), João Vitorino (guitarra eléctrica), João Gentil (acordeão) e Bruno Vítor (contrabaixo).

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