Protesto vai juntar portugueses e espanhóis contra nuclear e mina de urânio

Manifestação acontece neste sábado, em Salamanca, a propósito da concentração anual do Movimento Ibérico Antinuclear.

Península Ibérica
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Joana Gonçalves

Organizações ambientalistas portuguesas e espanholas participam numa manifestação, no sábado, em Salamanca, para "dar um sinal" ao novo Governo de Espanha contra a continuação da central nuclear de Almaraz e a instalação da mina de urânio de Retortillo.

Aquilo que a Quercus espera é que, "com esta manifestação de amanhã [sábado] seja dado mais um sinal daquilo que os cidadãos de Portugal e Espanha querem que é o encerramento das centrais nucleares em Espanha e o não avanço do projecto da mina de Retortillo", resumiu à agência Lusa Nuno Sequeira, da Quercus.

O ambientalista da Quercus, uma das organizações dos dois países reunidas no Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), falava a propósito da manifestação anual e da assembleia-geral, marcada para Salamanca, marcadas pela expectativa de que o novo Governo seja sensível às suas preocupações e reavalie estas situações.

Aproveitando o momento político, poucos dias depois da tomada de posse do novo executivo, os manifestantes vão "exigir que o Governo espanhol tome medidas no sentido de colocar em marcha o encerramento das centrais nucleares ainda em funcionamento em Espanha, onde está incluída a central de Almaraz" e que não autorize a exploração de urânio prevista para Retortillo, em Salamanca, perto da bacia do rio Douro, a 40 quilómetros da fronteira.

Compactuar com interesses da indústria nuclear

A licença para a construção de uma unidade para armazenagem perto da central nuclear de Almaraz, a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal, chegou a originar uma queixa do Estado português à União Europeia com o argumento de que o projecto tinha avançado sem consulta às autoridades portuguesas nem estudo de impacto ambiental.

Esta construção tem levado a várias reacções negativas dos ambientalistas, mas também de partidos político na Assembleia da República, como o Bloco de Esquerda, que vai acompanhar a manifestação de sábado.

As razões prendem-se com os impactos ambientais, tanto no rio Tejo, como nos ecossistemas, mas também na saúde dos cidadãos.

Quanto à exploração de urânio numa mina a céu aberto, a Quercus aponta "inúmeros e significativos impactes" para os dois lados da fronteira, onde se incluem o abate de cerca de 30 mil azinheiras, o risco de contaminação atmosférica com poeiras radioactivas, escorrências de materiais radioactivos e a contaminação dos solos com metais pesados.

"A esperança que temos é que este governo possa ter uma orientação diferente do anterior do PP que compactuava claramente com a indústria do nuclear e toda a pressão que existia para que a central de Almaraz continuasse em funcionamento depois de 2020 estava a acentuar-se", referiu Nuno Sequeira.

E, apontou ainda, o projecto da mina de Retortillo "também era um dado adquirido que Portugal não foi respeitado na decisão do Governo espanhol de autorizar o avanço deste projecto".

O ambientalista espera que "o novo Governo não compactue com os grandes interesses da indústria nuclear em Espanha e possa analisar o assunto e colocar em marcha um plano de enterramento faseado das centrais nucleares", começando por Almaraz, e que suspenda toda o processo de autorização da mina a céu aberto de urânio em Salamanca uma vez que não foi efectuado qualquer estudo de impacto ambiental transfronteiriço, ignorando dos direitos de Portugal e dos seus cidadãos".