Outros casos que envolvem o Benfica

Há mais três inquéritos-crime que envolvem o clube da Luz a correr na Justiça

O presidente do Benfica e o assessor jurídico Paulo Gonçalves são arguidos nestes casos.
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O presidente do Benfica e o assessor jurídico Paulo Gonçalves são arguidos nestes casos. JOSE COELHO/LUSA

Nome do caso: Vouchers, Emails e resultados viciados

Descrição: Eram dois inquéritos isolados, mas acabaram por ser juntos há uns meses. O mais recente e importante, instaurado em Junho de 2017, é conhecido como caso dos emails. O processo foi instaurado com base numa denúncia anónima, depois de sucessivas denúncias por parte do FC Porto de uma alegada rede de contactos, supostamente montada pelo Benfica, para influenciar as classificações e as nomeações dos árbitros nas últimas épocas. Na base das denúncias dos “dragões” estão um conjunto de emails que foram divulgados semanalmente num programa do Porto Canal. Nesta investigação também estão a ser analisadas suspeitas de viciação de resultados por parte do Benfica de menos dois jogos ocorridos na época 2015/2016. Serão eles a partida contra o Rio Ave, a 26 de Abril de 2016, com atletas do clube de Vila do Conde que afirmam ter sido abordados por um empresário para facilitarem o jogo às “águias, e um jogo contra o Marítimo, a 8 de Maio do mesmo ano, pela mesma questão: dois jogadores que dizem ter sido abordados por um empresário para facilitar o jogo. A este inquérito foi junto um outro, o dos vouchers, aberto na sequência de declarações do presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, em Outubro de 2015. Num programa televisivo da TVI, o dirigente denunciou as ofertas do Benfica aos árbitros que apitam no Estádio da Luz. Em causa estava a entrega de um kit que continha vouchers de refeições e uma camisola de Eusébio, numa edição comemorativa. O caso também foi investigado nas instâncias desportivas, onde terminou arquivado.

Número de arguidos: Pelo menos o assessor jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves

Medidas de coacção: Responsável do Benfica sujeito a Termo de Identidade e Residência (TIR), uma medida aplicada a todos os arguidos 

Nome do caso: Operação Lex

Descrição: No centro deste caso está o juiz do Tribunal da Relação de Lisboa, Rui Rangel, que é suspeito de vender decisões judiciais e a sua influência junto de outros magistrados, suspenso de funções em Fevereiro passado. O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, aparecerá entre os “clientes” do juiz, sendo suspeito de ter pago a influência de Rangel na resolução de um processo fiscal que envolvia o filho e estava pendente nos tribunais administrativos e fiscais. A ajuda de Rangel, que foi candidato à presidência do Benfica, seria paga com a promessa de cargos remunerados no universo do clube

Número de arguidos: 12 incluindo o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e o seu vice-presidente Fernando Tavares

Medidas de coacção: Responsáveis do Benfica sujeitos a TIR

Nome do caso: E-Toupeira

Descrição: Em Março passado, o assessor jurídico do Benfica Paulo Gonçalves foi detido por suspeita de comprar informações sobre processos judiciais. Igualmente detido foi um escrivão adjunto, de 51 anos, que trabalhava nos tribunais de Guimarães e de Fafe e espiaria o historial de inquéritos que interessavam ao Benfica usando a password de uma magistrada do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, que está afastada daquele departamento. O “caso dos emails” terá sido o que reuniu mais consultas: segundo uma listagem do Ministério Público, o historial do inquérito era consultado quase diariamente e chegou a ser visualizado dez vezes no mesmo dia. Uma cópia do historial deste processo foi encontrada no gabinete de Paulo Gonçalves, na Luz, em Outubro de 2017, durante buscas realizadas no âmbito do caso dos emails. Para passar as informações, o escrivão adjunto terá recebido inúmeros bilhetes VIP para jogos, camisolas e casacos da equipa de futebol e até a promessa de contratarem um sobrinho para o museu do Benfica. 

Número de arguidos: cinco incluindo o assessor jurídico do Benfica Paulo Gonçalves

Medidas de coacção: Escrivão adjunto ficou em prisão preventiva e Paulo Gonçalves proibido de contactar com outros arguidos