Crónica de jogo

Argélia motiva Portugal no ensaio geral para a Espanha

Cristiano Ronaldo regressou e o poder de fogo da selecção nacional exponenciou-se. O capitão não marcou, mas inspirou Gonçalo Guedes e Bruno Fernandes.

Gonçalo Guedes bisou frente à Argélia
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Gonçalo Guedes bisou frente à Argélia Reuters/RAFAEL MARCHANTE
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Eden Hazard, UEFA Euro 2016, seleção de futebol da Bélgica, International rules football
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JOSE SENA GOULAO
Regras internacionais de futebol, Tackle, Rugby League
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Esporte de equipe, equipe
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O ensaio geral para o confronto com a Espanha foi convincente. Na despedida dos adeptos portugueses, antes de rumar à Rússia, a selecção cilindrou a Argélia, venceu por 3-0, num resultado que só pecou por escasso face ao festival de oportunidades perdidas. Fernando Santos tirou as dúvidas que ainda persistissem sobre a equipa que irá escalar em Sochi dentro de uma semana.

O seleccionador nacional nunca escondeu que é um homem supersticioso e a escolha do Estádio da Luz para o último jogo antes do arranque do Mundial não terá sido mera coincidência. Foi aqui, há oito anos, que a selecção, então orientada por Paulo Bento, defrontou e goleou a Espanha, por 4-0, num particular que foi também o penúltimo encontro entre as duas potencias ibéricas.

Uma partida que marcou a estreia de Rui Patrício na baliza portuguesa (frente à Argélia cumpriu a 69.ª internacionalização), tendo entrado então na segunda metade para render Eduardo. Na equipa inicial de 2010 estavam Pepe, Bruno Alves, João Moutinho e Cristiano Ronaldo. Todos voltaram a ser titulares esta quinta-feira. E já para não falar de Manuel Fernandes (convocado também para a Rússia) que entrou no decorrer da partida.

A apenas uma semana de voltar a enfrentar a formação espanhola, em Sochi, Portugal deixou uma boa imagem e o resultado poderia ter sido bem mais dilatado. Até porque a Argélia foi quase uma nulidade ofensiva, apesar da qualidade individual que tem no ataque, que não tem nenhuma correspondência defensiva.

Os primeiros 20’ foram de completa pressão e domínio da equipa da casa, com uma pronta reacção à perda de bola e vistosas combinações atacantes. O golo inaugural, aos 17’, foi um exemplo disso mesmo. Um passe longo de William para a cabeça de Bernardo Silva assistir Gonçalo Guedes à entrada da área. De primeira, o jogador do Valência (emprestado pelo PSG) rematou para as redes entre dois defesas.

Portugal foi perdendo alguma intensidade, aproveitando a Argélia para ter posse de bola, mas sem objectividade atacante. O único remate do primeiro tempo pertenceu a Brahimi, aos 42’. E não melhorou muito na segunda parte.

Mas cinco minutos antes do lance do jogador do FC Porto, já a selecção nacional tinha apontado o segundo em mais uma veloz combinação atacante: Raphaël Guerreiro lançou Cristiano Ronaldo na esquerda, o atacante do Real Madrid foi à linha cruzar para Bruno Fernandes marcar de cabeça. Foi o primeiro golo do médio ao serviço da selecção.

Fernando Santos queria um resultado ainda mais moralizador e não mexeu na equipa para o início da segunda metade. Os jogadores corresponderam aos desejos do seleccionador, voltaram a carregar no acelerador e o terceiro surgiu naturalmente, aos 55’. Mais uma vistosa combinação atacante, com Raphaël Guerreiro a cruzar na esquerda para uma entrada de rompante de Guedes, de cabeça, a bisar no encontro.

O público no Estádio da Luz estava satisfeito, tal como o seleccionador que começou então a mexer e a dar oportunidade a alguns jogadores do banco. A tendência do encontro não mudou, assim como não se alterou a passividade argelina, a explicar muito a sua ausência da fase final do Mundial.

O quarto golo até surgiu aos 84’, apontado por João Mário (assistido por Bruno Fernandes), mas o VAR anulou o lance por Gonçalo Guedes ter dominado a bola com o braço no início da jogada. Foi o segundo que não valeu, depois de Ronaldo também ter marcado aquele que seria o primeiro da partida, anulado por um fora-de-jogo muito duvidoso.

Depois de dois empates no caminho para a Rússia, frente à Tunísia (2-2) e à Bélgica (0-0), surgiu finalmente um triunfo motivador. A fase experimental acabou e a contagem decrescente começou. Uma das poucas reservas de Fernando Santos para a partida contra a Espanha poderá passar pelo eixo defensivo: Bruno Alves ou José Fonte para acompanhar Pepe.