Universidades portuguesas em queda quase generalizada no ranking QS

Fraca reputação junto dos empregadores e baixo número de professores penalizam instituições portuguesas. Apenas três em sete conseguem manter a posição do ano passado.

Universidade do Porto, Universidade de Lisboa, Universidade, Ensino Superior
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Bruno Lisita

Depois de um ano de boas notícias, o ranking de universidades elaborado pela empresa britânica Quacquarelli Symonds (QS) traça um retrato mais negativo do ensino superior nacional, com uma queda quase generalizada das universidades portuguesas na lista. Das sete representantes, apenas três conseguem manter a mesma posição face a 2017.

A Universidade do Porto continua a ser a melhor representante nacional, situando-se na 328.ª posição, mas, em relação ao ano passado, cai 27 lugares. As instituições de Lisboa têm descidas ainda mais evidentes: a Universidade de Lisboa perdeu 50 posições (é agora a 355.ª colocada) e a Nova caiu 44 postos (405.ª). Também a Universidade Católica de Lisboa passou do intervalo 651-700 para o 751-800 – a partir do 500.º lugar, o ranking QS alinha as instituições em intervalos.

As únicas três instituições nacionais que conseguem manter a posição na lista da QS são a Universidade de Coimbra (407.ª), a Universidade de Aveiro (intervalo 531-540) e a Universidade do Minho (651-700).

A lista da QS é publicada pouco mais de uma semana depois da do Centro para os Rankings Universitários Mundiais (CWUR, na sigla internacional), que inaugurou a temporada de divulgação dos rankings universitários. Os resultados nacionais em ambas as avaliações não podiam ser mais divergentes, uma vez que no ranking CWUR todas as seis universidades nacionais representadas melhoraram a sua prestação.

No entanto, nos indicadores apresentados pelos dois rankings encontram-se semelhanças. Por exemplo, tal como na lista da CWUR, a QS avalia negativamente as instituições portuguesas no que toca ao emprego. “As quedas registadas pelas instituições portuguesas ocorrem principalmente devido à deterioração de sua classificação no indicador de reputação entre empregadores”, sublinha a empresa britânica em comunicado. Este indicador é baseado nas percepções de mais de 42 mil empregadores em todo o mundo sobre a qualidade dos graduados de uma instituição.

Outro aspecto que prejudica o resultado das universidades nacionais é o rácio professores/alunos. Nenhuma instituição portuguesa teve mais de 30 pontos – numa escala que vai até 100 – neste indicador. Portugal tem 14 alunos por membro do corpo docente, acima da média da Europa Ocidental (12 alunos por professor).

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Melhores resultados na investigação

Tal como acontece no ranking CWUR, é na investigação que estão os melhores resultados das instituições de ensino superior nacionais de acordo com os parâmetros da QS. As sete universidades portuguesas tiveram uma melhoria no indicador de reputação académica, que correspondem a 40% da pontuação geral de uma instituição nesta lista. O impacto da investigação nacional também merece sinal positivo por parte dos organizadores desta lista.

A nível global, o Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) continua a ser, pelo sétimo ano consecutivo, a instituição mais bem cotada. Seguem-se as Universidades de Stanford e Harvard, também nos Estados Unidos. A principal instituição do Reino Unido alterou-se pela primeira vez desde que a QS começou a publicar este ranking (2004), com a Universidade de Oxford (5.ª) a ultrapassar a sua rival histórica, Cambridge (6.ª). A melhor universidade da Europa continental continua a ser a Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, que alcançou a sua melhor posição de sempre (7.º).

O Ranking Mundial de Universidades da QS mede aspectos como a reputação da instituição – na academia e entre os empregadores – e a internacionalização. Este é um dos maiores rankings internacionais de universidades, listando um total de 1000 instituições de 85 países. Ao todo, foram analisadas mais de 4500 instituições.