Rede Artéria leva criações artísticas a oito concelhos da região Centro

Parceria entre agentes culturais, instituições de ensino superior e autarquias durará dois anos.

Teatro da Trindade, Teatro
Foto
PEDRO CUNHA

O projecto começou a ser desenvolvido há três anos e está agora a ganhar corpo. A Rede Artéria, que junta esforços de agentes culturais, instituições de ensino superior e autarquias, surge para criar a fazer circular vários espectáculos pela Região Centro do país.

O primeiro é já no final de Junho. Tem início em Coimbra, no dia 30, com o espectáculo Sofia, Meu Amor!, uma criação da companhia Trincheira Teatro. Tal como todas as restantes criações artísticas da rede, o espectáculo é itinerante, passando por Guarda, Ourém e Belmonte ao longo do mês de Julho.

Todos os espectáculos concebidos no âmbito do projecto liderado pela companhia de Coimbra O Teatrão vão passar por mais três dos oito municípios envolvidos. As criações artísticas vão circular por Belmonte, Coimbra, Figueira da Foz, Fundão, Guarda, Ourém, Tábua e Viseu ao longo de dois anos e contam com a parceria de instituições de ensino superior como as universidades de Coimbra, da Beira Interior, dos institutos politécnicos Coimbra, Viseu, Castelo Branco, Guarda e Tomar e do Centro de Estudos Sociais da UC.

O trabalho desempenhado pelas instituições de ensino superior consiste numa “radiografia da região”, que serve de base à criação artística, explica a directora d'O Teatrão Isabel Craveiro. A dramaturgia parte depois desse trabalho investigação da história dos locais, de mapeamento e de auscultação das comunidades locais. Comunidades que são também envolvidas no espectáculo refere a responsável. No caso de Coimbra, para além de dez actores profissionais, foram mobilizados estudantes de cursos de interpretação, agentes culturais como o Jazz ao Centro e o Centro de Artes Visuais, mas também a Associação para a Promoção da Baixa de Coimbra e o colectivo Há Baixa para participar no projecto. A rede Artéria terá um público estimado de 20 mil pessoas.

“O que circula não são apenas os espectáculos. O que se circula são também as cidades”, destaca Isabel Craveiro. Ou seja, para além de serem apresentados noutros locais, os espectáculos vão sofrer adaptações aos sítios. A responsável pega no exemplo de Sofia, Meu Amor!, que apesar de estar a ser trabalhado com a Rua da Sofia, em Coimbra, como base, a criação já tem em conta que terá que ser adaptado às outras três localidades onde será apresentado.

O mesmo acontece em 2018 com as produções de Marina Nabais, que tem base em Ourém, de Fernando Moreira, no Fundão, de Filipa Francisco, na Figueira da Foz e de Graeme Pulleyn, na Guarda. Os espectáculos da Circolando, que começa por Tábua, do Teatro Experimental do Porto, que se inicia em Viseu e de Filipa Francisco, em Belmonte, estão previstos para 2019 e ainda não têm data marcada.

O projecto de programação cultural tem um orçamento de 632 mil euros. 60% desse valor é suportado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, sendo que os restantes 40% são assegurados pelos municípios parceiros.

“O projecto Artéria não tem financiamento nosso, da administração central”, começou por frisar a directora Regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro. E o facto de contar com apoios comunitários é um exemplo do que a responsável “quis dizer” quando falou “há tempos” de “outras fontes de financiamento”. Celeste Amaro destacou ainda o papel de dinamização da criação e produção cultural nos oito concelhos. No mesmo sentido, o papel da cultura para a coesão social foi sublinhado pela presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Ana Abrunhosa.