Woody Allen defende que deveria ser o rosto do #MeToo

O realizador apoia o movimento e considera que a sua carreira é um símbolo dessa luta. Afinal não há queixas de ter alguma vez assediado uma mulher e sempre lhes pagou o mesmo que aos homens.

Woody Allen
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Reuters/REGIS DUVIGNAU

Woody Allen, numa entrevista a um programa televisivo argentino, declarou que apoia o movimento #MeToo, criado depois de conhecido o escândalo Weinstein, o produtor norte-americano que alegadamento terá agredido e abusado sexualmente de dezenas de actrizes. Mais, o realizador defende que a sua carreira é um símbolo dessa luta.

"É engraçado. Eu deveria ser o rosto dos cartazes do movimento #MeToo", afirma numa entrevista para o programa de televisão argentino Jornalismo para Todos no Canal 13, citado pelo El País.

O realizador lembra que durante a sua carreira nunca foi acusado por qualquer mulher que tenha trabalhado à frente ou atrás das camaras. "Trabalhei em filmes durante 50 anos, com centenas de actrizes e nem uma jamais sugeriu qualquer tipo de comportamento indecente [da minha parte]", diz, acrescentando que trabalhou com mais de 200 mulheres e sempre pagou exactamente o mesmo que pagava aos homens.

Quanto às acusações da sua filha adoptiva Dylan, Allen responde que o caso foi investigado há 25 anos, foi a tribunal, não foram encontradas provas suficientes contra si e defende que os "verdadeiros agressores" devem ser julgados, mas não se podem pôr os inocentes no mesmo saco.

Recentemente o seu filho adoptivo Moses Farrow, irmão de Dylan, veio a público defender o pai