Vaticano pede às actrizes que dêem voz às mulheres que são perseguidas pela sua fé

Movimento #MeToo pode contemplar as mulheres vítimas de violência porque acreditam em Cristo.

Chibok, 2014 Chibok sequestro, Abubakar Shekau, Boko Haram
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Reuters/REUTERS TV

A associação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) publicou uma carta na Vanity Fair italiana onde pede ajuda directa a quatro actrizes. As visadas são Asia Argento, Meryl Streep, Sharon Stone e Uma Thurman, mas também todas as que têm denunciado casos de assédio e violência contra mulheres no âmbito do movimento #MeToo.

O ramo italiano da fundação pontifícia – também por cá há uma secção portuguesa – apela às celebridades: "Ponham a vossa voz à disposição das mulheres que sofrem violência por causa da sua fé."

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Trata-se de uma carta aberta com o objectivo de sensibilizar as figuras públicas para o problema de milhares de cristãos que são perseguidos, nomeadamente as mulheres que são raptadas, violadas ou tornadas escravas sexuais. 

"Queríamos lançar uma provocação", explicam Alfredo Mantovano e Alessandro Monteduro, respectivamente presidente e director da AIS Italia, citados no site da associação. "Nós pedimos a quatro actrizes famosas para se preocuparem também com as dezenas de milhares de mulheres que em muitos países, especialmente naqueles dominados pelo fundamentalismo, sofrem de uma violência indizível só porque professam outra religião, na maioria dos casos cristã", acrescentam.

A carta aberta vai acompanhada de três fotografias de três mulheres que representam milhares de vítimas de violência – Rebecca, 28 anos, uma nigeriana que foi raptada, feita prisioneira durante dois anos e escravizada por membros do Boko Haram; Dalal, 21 anos, uma yazidi iraquiana raptada aos 17 anos, vendida como escrava sexual a nove homens em nove meses por militantes do ISIS e que diz que a mãe a irmã continuam prisioneiras desta organização terrorista; e Meena, 40 anos, uma freira indiana violada por hindus e obrigada a caminhar nua durante 50 quilómetros por entre uma multidão que a atacava. As três foram captadas com cartazes com as hashtags usadas pelo movimento que nasceu nos EUA, depois do escândalo dos alegados abusos de Weinstein: #MeToo; #NotJustYou e #StopIndifference.

Em simultâneo com esta carta, a AIS-Itália criou um fundo de solidariedade para as mulheres, vítimas de violência por causa da sua fé. As doações serão destinadas a projectos específicos para apoiá-las. "O nosso objectivo é que o #MeToo seja finalmente para todos", concluem os responsáveis.

A AIS é uma fundação da Santa Sé fundada na Alemanha, em 1947, para denunciar a violação da liberdade religiosa e apoiar projectos pastorais em países onde a Igreja Católica está em dificuldades.