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A Grécia que os gregos deixaram para trás

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A tendência mantém-se desde a revolução industrial, há quase dois séculos: as pessoas continuam a migrar das áreas rurais em direcção às grandes cidades, deixando para trás as raízes e as propriedades que se vão transmitindo de geração em geração. A Grécia não foge à regra, no que concerne ao padrão de migrações da sua população; em pleno século XXI, as zonas menos populadas vão ficando progressivamente mais vazias.

 

No projecto A Common Story, o fotógrafo grego Kostas Kapsianis questiona-se: "Sabemos de onde vimos? Ainda conseguimos recordar esse lugar que deixámos para trás? O que leva um homem a abandonar a sua casa em direcção a outro lugar? O que o leva a ficar?" Durante três anos, mais precisamente três invernos, Kostas deambulou sozinho pelas zonas mais despovoadas do país. Encontrou paisagens desoladas "onde prevalece uma sensação de nostalgia, de ancestralidade", refere na sinopse do projecto. Em muitos locais, o que resta da herança cultural são estruturas recentes que "celebram" de forma decadente a identidade grega: imitações da Vénus de Milo que estacam sem propósito numa estrada alcatroada, de colunas jónicas que não seguram qualquer friso. Apesar destas estranhas demonstrações patrióticas, é sobretudo o silêncio e a solenidade que imperam em A Common Story.

 

Existe uma razão pessoal que levou Kostas a desenvolver esta série fotográfica. O pai abandonou a sua aldeia, em Peloponeso, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, e rumou em direcção a Atenas, buscando um futuro mais promissor. Lá encontrou trabalho, constituiu família. Kostas nasceu e cresceu na capital grega, mas reconhece o lugar que o pai abandonou como parte da sua identidade. Visita a aldeia regularmente, apesar de esta ser habitada, sazonalmente, por apenas uma mulher nonagenária. Ela pergunta-lhe, quando o vê: "Onde estão os jovens? O que irá acontecer a esta terra?"

 

O projecto de Kostas Kapsianis já esteve exposto no Mois De La Photo, em Paris, no Festival de Fotografia de Atenas, no Mês da Fotografia, em Budapeste, na Bienal de Arte Contemporânea de Salónica e na FotoIstanbul. Foi considerado, pela Lens Culture, um dos talentos emergentes de 2016.