Austeridade enche ruas de Amã com protestos há três dias

Pela terceira noite consecutiva, milhares de jordanos saíram de casa para as maiores manifestações em cinco anos. Exigem a demissão do primeiro-ministro.

Protesto, Amman, 2011–12 protestos jordanianos
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Abdullah II da Jordânia, Jordânia, Protesto
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Abdullah II da Jordânia, Hani Al-Mulki, Jordânia, Protesto
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Protesto, Multidão
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Protesto
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A capital da Jordânia, Amã, está transformada no palco dos maiores protestos dos últimos cinco anos. Motivo: uma reforma fiscal proposta pelo Governo liderado por Hani Mulki, com o apoio do Fundo Monetário Internacional, que faz parte de um pacote legislativo que impõe ao país três anos de austeridade. No sábado à noite, milhares de pessoas saíram de casa para a terceira noite de manifestação contra o governo, as maiores no país, nos últimos cinco anos pelo menos. Exigem a demissão do primeiro-ministro, que não abdica da legislação enviada para aprovação dos deputados.

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"Enviar leis para o parlamento não significa que este concorde com elas ou com todos os artigos. O Parlamento toma das suas próprias decisões", sublinhou Malki, em declarações aos jornalistas citadas pela Reuters.

As ruas de acesso à sede do Governo foram bloqueadas pela polícia, que usou gás lacrimogénio noutras cidades mais pequenas onde também se registaram manifestações mais pequenas. Houve confrontos sem gravidade entre autoridades e manifestantes em diversos locais do país. 

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Os sindicatos afirmam que a reforma fiscal em causa vai piorar as condições de vida no país, depois de no início de 2018 se ter assistido a uma subida geral de impostos e de ter sido cortado o subsídio ao pão. Medidas que fazem parte de um plano de austeridade a três anos com que o Governo árabe e o FMI pretendem cortar na dívida pública de 37 mil milhões de dólares (quase 32 mil milhões de euros), que representa 95% do Produto Interno Bruto da Jordânia, onde vivem oito milhões de pessoas, incluindo centenas de milhares de refugiados de guerra. A taxa de desemprego atingou em 2017 o máximo em 25 anos e rondava os 20%.

A Jordânia faz fronteira com a Síria e o Iraque a norte, tendo a Arábia Saudita como vizinha no sul. Indiferente às exigências de demissão, o rei Abdullah pede apenas um "diálogo nacional" entre governo e parlamento, mostrando que apoia os planos do executivo, que garante necessitar de mais dinheiro para assegurar serviços públicos. O monarca diz que a recessão e o descontrolo das contas públicas são culpa da instabilidade na região. Muitos cidadãos e analistas, pelo contrário, responsabilizam o despesismo político e a corrupção.

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A economia jordana tem registado sucesssivos défices, prejudicada pelas guerras vizinhas, pela fuga de capitais privados, cortes na ajuda externa e decréscimo do investimento estrangeiro. Na sexta-feira, anota a BBC, Abdullah teve de intervir para "congelar" o preço dos combustíveis e evitar mais uma subida penalizadora para a população.

Mulki argumenta que a reforma fiscal protege os mais desfavorecidos e aumenta a contribuição dos mais ricos, garantias que não convencem a população. Sindicatos representativos dos trabalhadores dos sectores público e privado entendem, pelo contrário, que o pacote de austeridade "aumenta as disparidades" entre ricos e pobres e prometem responder com greves e outras formas de protesto.

Outras vozes críticas antevêem um chumbo do pacote legislativo que está à espera de aprovação dos deputados. O presidente do parlamento, Atef Tarawneh, disse à Reuters que mais de 80 deputados (entre 130 com assento naquele órgão), querem que o governo retire a proposta de reforma fiscal. "Nós não nos submeteremos à ditadura do FMI", reclamou Tarawneh, depois de se ter reunido com o primeiro-ministro, no sábado.