Junho é o mês da ilustração em Setúbal

Espaços públicos e privados voltam a encher-se de desenhos. Até 30 de Junho os ilustradores portugueses mostram os seus trabalhos na cidade. Desta vez, também nos vão dar música.

Ilustração
Foto
A retrospectiva de Tóssan abre a 9 de Junho, na Galeria Municipal do 11 DR

Depois de inaugurada na sexta-feira a exposição Bricolage, de João Fazenda, na Casa da Cultura, a Festa da Ilustração de Setúbal abre neste sábado as portas das restantes mostras, que se distribuem por vários espaços no centro da cidade, mas que chegam a Azeitão (Biblioteca Municipal) e a Estefanilha (Instituto Politécnico de Setúbal).

À noite, os ilustradores que também são músicos (e até constroem os seus próprios instrumentos) juntam-se no exterior da Casa da Cultura, às 22h00, para o concerto Chegou o Homem dos Sete Instrumentos. São eles: Gonçalo Duarte, Jibóia, João Maia Pinto, Miguel Feraso Cabral e Bruxas/Cobras.

A abertura oficial da festa fez-se, como habitualmente, com uma visita nocturna (meia-noite de dia 1 de Junho) guiada pelo ilustrador convidado. João Fazenda, 39 anos, mostra o que tem andado a fazer nos últimos anos. E os trabalhos são muitos e variados: cartazes para teatro e cinema, imagens para textos de imprensa nacional e internacional, livros infantis, capas de discos, desenhos de linha (em edição de autor), banda desenhada e ilustrações para a crónica semanal de Ricardo Araújo Pereira na revista Visão, a Boca do Inferno.

Entre os prémios deste ilustrador que regressou a Lisboa depois de uma década a viver em Londres, contam-se o Grande Prémio Stuart/El Corte Inglés de Desenho de Imprensa, em 2007; o World Illustration Award (categoria ilustração de livros) e o Prémio Nacional de Ilustração (livro Dança, edição Pato Lógico), ambos em 2015, e ainda o Grande Prémio da Bienal de Ilustração de Guimarães, em 2017.

PÚBLICO -
Foto
O trabalho de João Fazenda vai estar em destaque na edição deste ano DR

Sobre a ilustração que criou para esta edição de É Preciso Fazer Um Desenho?, João Fazenda disse ao PÚBLICO querer que “traduzisse a ideia de imagem como construção, como algo entre o teatro, aquilo se constrói, a ficção e a narrativa”. Descreveu-a assim: “Tem três figuras a construir uma imagem, em que há um lado dos objectos e do palco, e que vive entre aquilo que se cria. Uma imagem que se constrói a ela própria e ao seu espaço.”

Levar a sério uma vida engraçada

Ao longo deste sábado, as exposições vão sendo inauguradas entre as 15h e as 17h30: Ilustração Portuguesa e TPC (Cais 3 do Porto de Setúbal e Biblioteca de Azeitão), Galinhas do Mato e É Preciso Contar Uma História? (Casa da Avenida), Resumo da Matéria Dada (Museu do Trabalho Michel Giacometti), Ver ao Perto (Galeria do Banco de Portugal), Silva Duarte (Casa Bocage), Fora de Muros (Biblioteca Pública Municipal de Setúbal).

Espaços como a Casa do Largo, Centro Comercial Alegro, Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e A-Mar Concept Store juntam-se à festa e divulgam também diferentes tipos de ilustrações e autores.

Para dia 9 de Junho fica marcada a abertura da exposição retrospectiva de Tóssan (António Fernando do Santos), na Galeria Municipal do 11 (às 18h), comissariada por Jorge Silva. Incluirá alguns inéditos do ilustrador (que morreu em 1991), mas que foi também autor de textos e performer velho amigo de Mário Viegas. Em 1992, o actor levaria à cena o espectáculo Totó, com textos inéditos deste “notável ilustrador de animais”.

A exposição foi destacada por João Paulo Cotrim (da editora Abysmo e da direcção do projecto Festa da Ilustração de Setúbal), irá chamar-se A Vida É Engraçada mas eu Levo-a Muito a Sério e terá uma visita guiada no dia 16 de Junho, às 18 horas.

José Teófilo Duarte (da DDLX Design e Comunicação e organizador da festa) realçou a exposição de Alberto Lopes (Galinhas do Mato), que criou capas de discos de José Afonso e que foi desafiado mostrar o seu trabalho à volta da última capa de inéditos do cantor na Casa da Avenida. O designer salientou ainda a mostra de Silva Duarte (Casa Bocage), que nasceu em Setúbal e traduziu e ilustrou Hans Christian Andersen. A par desta mostra, haverá uma conferência por Fátima Ribeiro Medeiros (Casa da Cultura, 5 de Junho, 21h30).

Alunos das escolas básicas e secundárias, ilustradores residentes no concelho e reclusos no Estabelecimento Prisional de Setúbal terão mais uma vez oportunidade de mostrar os seus trabalhos na cidade.

Pedro Pina, vereador da Cultura da câmara, valoriza “o conceito de festa como espaço de liberdade e apresentação de ideias”, agrada-lhe o “encontro anual entre um autor contemporâneo e outro consagrado” e também “o cruzamento de linguagens”, que nesta quarta edição até nos dá música. Na conferência de apresentação da Festa da Ilustração de Setúbal, em que brincou e falou a sério, concluiu: “É um projecto que nos deixa muito entusiasmados.” Só lhe faltou fazer um desenho.