Acordo com Luís Filipe Vieira deixa CGD em risco de perder 24,5 milhões

O acordo data de 2012, altura em que a CGD ficou com 50% da participação de Luís Filipe Vieira no Fundo Imobiliário Real Estate para pagamento de uma dívida. Na altura, a participação foi avaliada em 24,5 milhões. Agora, o Fundo está em insolvência e isso pode significar prejuízo para a CGD.

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica
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Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica Ricardo Campos

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, fez um negócio com a Caixa Geral de Depósitos em 2012 que poderá significar um prejuízo potencial de 24,5 milhões para o banco público em 2018. A notícia é avançada pelo Correio da Manhã (CM), na edição desta sexta-feira, e a perda deve-se ao pedido de insolvência do Fundo de Investimento Imobiliário Fechado Real Estate, entregue esta semana pelo Banco Bic, comprador do BPN, ao Tribunal do Comércio de Lisboa. A Caixa Geral de Depósitos detém 50% desse fundo desde que ficou com as acções de Vieira, pelo pagamento de uma dívida.

Em 2012, Luís Filipe Vieira tinha uma dívida de 31 milhões à Caixa e, para a saldar, propôs ao banco público que ficasse com as suas acções do Fundo de Investimento Mobiliário Fechado Real Estate, que tem como activo principal o empreendimento Loures Business Park. A participação de Vieira foi avaliada pelo banco em 24,5 milhões de euros, e a proposta foi aceite, pelo que o dirigente do Benfica ainda teve de pagar 6,5 milhões de euros em dinheiro.

Os outros 50% de participação no fundo ficaram nas mãos do BPN, comprado pelo Banco Bic em 2011. Desde 2003 que o BPN detinha 50% do Fundo Imobiliário Real Estate, pelo empréstimo de 20 milhões de euros que concedeu a Luís Filipe Vieira, para um aumento de capital nesse mesmo fundo. 

Desde que a CGD ficou com a participação, o fundo registou prejuízo todos os anos – de 2012 a 2017, o prejuízo acumulado rondou os 49 milhões de euros, causado principalmente pela desvalorização dos terrenos e a dívida a terceiros, superior a 15,7 milhões de euros.

Essa esteve, aliás, entre as razões apontadas pelo EuroBic no pedido de falência, a par da não concretização do capital previsto desde 2016. Nem a CGD nem a Parups, entidade pública que ficou com a participação do grupo BPN no fundo terão ainda sido notificadas do pedido de insolvência.

Actualmente, o Fundo é detido a 100% pelo Estado. As unidades de participação são detidas a 50% pela Caixa Geral de Depósitos e a 50% pela Parups, empresa que acolhe uma parte dos activos tóxicos do BPN.

O Parque Logístico Loures Business Park é principal activo. Explica Francisco Nogueira Leite, da Parvalorem, detida pela Parups, ao CM, que o centro de negócios “sofreu uma forte desvalorização e perdeu rentabilidade em virtude de um ónus decorrente da insolvência do principal arrendatário, encontrando-se o processo pendente de decisão judicial, o que afasta compradores”.

Contactada pelo CM, a Caixa Geral de Depósitos não respondeu.

“Nada fiquei a dever à CGD, como actualmente nada devo”

Luís Filipe Vieira reagiu na tarde desta sexta-feira, em comunicado, afirmando que pagou “tudo o que tinha rigorosamente acordado com a referida entidade”. “Nada fiquei a dever à CGD, como actualmente nada devo.”

“Se o Fundo citado foi agora à falência, deve-se única e exclusivamente a quem ficou responsável pela sua posterior gestão”, escreveu o presidente do Benfica. “É totalmente falsa qualquer insinuação de qualquer tipo de perdão, ou que o acordo que na altura foi feito seja a causa da perda de 24,5 milhões de euros por parte da CGD”, defende-se.