Apoio à extrema-direita está a subir em Itália, mas negoceia-se um governo

O partido de Salvini sobe nas preferências dos eleitores. Cottarelli tenta formar um governo tecnocrático a pedido do Presidente, mas há ainda esforços para fazer um executivo político, saído das eleições.

Matteo Salvini, Silvio Berlusconi, Nathalie Levy, Itália, eleição geral italiana, 2018, eleição de liderança de Lega Nord, 2017
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Matteo Salvini, líder doa Liga, partido de extrema-direita LUSA/GIUSEPPE LAMI

A popularidade da extrema-direita continua a aumentar em Itália. Uma sondagem publicada esta quarta-feira mostra que o apoio à Liga chegou a 25,4%, uma subida de 8% em relação ao resultado do partido nas eleições de 4 de Março. A sondagem da IPSOS, publicada pelo jornal Corriere della Sera, mostra também que o apoio ao partido anti-sistema Movimento 5 Estrelas (M5S), o vencedor das legislativas, se manteve nos 32,6%.

Na segunda-feira, outra sondagem indicava que o apoio dos italianos à Liga de Matteo Salvini tinha subido para 27,5% e que a popularidade do M5S estava em queda, para 29,5%. 

Com a crise política em que a Itália caiu depois de o Presidente, Sergio Mattarella, ter vetado o nome do eurocéptico Paolo Savona, escolhido pela Liga para pasta da Economia e Finanças num Governo de coligação entre com o 5 Estrelas, a Liga, partido xenófobo e de extrema-direita, parece ser quem mais vantagens retira da instabilidade.

E, apesar de o 5 Estrelas continuar a empenhar-se para tentar ainda formar um governo "político". Em conversações com Carlo Cottarelli - um ex-director do FMI entretanto convidado pelo Presidente para formar um executivo tecnocrático - a Liga fez saber que não está interessada nesta solução. Quer novas eleições, e quer que se realizem depois do Verão, a partir de Setembro - e não em Julho, como chegou a ser adiantado. 

Um governo técnico liderado por Cottarelli muito dificilmente será aprovado pelo Parlamento, onde os deputados da Liga e do M5S juntos têm maioria. Já anunciaram que não darão o voto de confiança necessário ao novo Governo.

Cottarelli está consciente disso e afirmou-o, esta segunda-feira: “Apresentar-me-ei ao Parlamento com um programa que incluirá a proposta de orçamento para 2019. Se for aprovado, o Parlamento será dissolvido e teremos eleições no início de 2019. Se não tiver apoio, o Governo demitir-se-á e a sua função será levar o país a eleições depois do mês de Agosto, mantendo a neutralidade”. Esta é, aliás, a solução que a grande maioria dos grandes partidos italianos defende.