Apoio à extrema-direita está a subir em Itália, mas negoceia-se um governo

O partido de Salvini sobe nas preferências dos eleitores. Cottarelli tenta formar um governo tecnocrático a pedido do Presidente, mas há ainda esforços para fazer um executivo político, saído das eleições.

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Matteo Salvini, líder doa Liga, partido de extrema-direita LUSA/GIUSEPPE LAMI

A popularidade da extrema-direita continua a aumentar em Itália. Uma sondagem publicada esta quarta-feira mostra que o apoio à Liga chegou a 25,4%, uma subida de 8% em relação ao resultado do partido nas eleições de 4 de Março. A sondagem da IPSOS, publicada pelo jornal Corriere della Sera, mostra também que o apoio ao partido anti-sistema Movimento 5 Estrelas (M5S), o vencedor das legislativas, se manteve nos 32,6%.

Na segunda-feira, outra sondagem indicava que o apoio dos italianos à Liga de Matteo Salvini tinha subido para 27,5% e que a popularidade do M5S estava em queda, para 29,5%. 

Com a crise política em que a Itália caiu depois de o Presidente, Sergio Mattarella, ter vetado o nome do eurocéptico Paolo Savona, escolhido pela Liga para pasta da Economia e Finanças num Governo de coligação entre com o 5 Estrelas, a Liga, partido xenófobo e de extrema-direita, parece ser quem mais vantagens retira da instabilidade.

E, apesar de o 5 Estrelas continuar a empenhar-se para tentar ainda formar um governo "político". Em conversações com Carlo Cottarelli - um ex-director do FMI entretanto convidado pelo Presidente para formar um executivo tecnocrático - a Liga fez saber que não está interessada nesta solução. Quer novas eleições, e quer que se realizem depois do Verão, a partir de Setembro - e não em Julho, como chegou a ser adiantado. 

Um governo técnico liderado por Cottarelli muito dificilmente será aprovado pelo Parlamento, onde os deputados da Liga e do M5S juntos têm maioria. Já anunciaram que não darão o voto de confiança necessário ao novo Governo.

Cottarelli está consciente disso e afirmou-o, esta segunda-feira: “Apresentar-me-ei ao Parlamento com um programa que incluirá a proposta de orçamento para 2019. Se for aprovado, o Parlamento será dissolvido e teremos eleições no início de 2019. Se não tiver apoio, o Governo demitir-se-á e a sua função será levar o país a eleições depois do mês de Agosto, mantendo a neutralidade”. Esta é, aliás, a solução que a grande maioria dos grandes partidos italianos defende.