Computador foi mais eficaz do que médicos a detectar cancros de pele

Num estudo, em média, os dermatologistas detectaram com precisão 86% dos cancros de pele, em comparação com os 95% da máquina.

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Banhistas numa praia espanhola Miguel Madeira/Arquivo

Um computador revelou-se mais eficaz na detecção de cancro de pele do que dermatologistas, revelou um estudo em que foram colocados humanos e máquinas em confronto, na procura de melhores e mais rápidos diagnósticos. Uma equipa de investigadores da Alemanha, França e Estados Unidos preparou um sistema de inteligência artificial para distinguir lesões de pele perigosas das benignas, através de mais de 100.000 imagens. A máquina foi então testada contra 58 dermatologistas de 17 países, mostrando fotos de melanomas malignos e molas benignas, acabando a maioria dos médicos por ser superada pela máquina, escreveu a equipa do estudo num artigo publicado na revista Annals of Oncology.

Em média, os dermatologistas detectaram com precisão 86% dos cancros de pele, em comparação com os 95% da máquina, denominada CCN. “A CCN deixou escapar menos melanomas, o que significa que tem uma sensibilidade maior do que os dermatologistas”, afirmou um dos autores do estudo, Holger Haenssle, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Segundo o mesmo estudo o desempenho dos dermatologistas melhorou quando receberam mais informações sobre os pacientes e as suas lesões de pele.

Para a equipa de investigadores a Inteligência Artificial pode ser uma ferramenta útil para um diagnóstico mais rápido e preciso do cancro de pele, permitindo a remoção cirúrgica antes que se espalhe. No entanto, afirmaram, é improvável que uma máquina substitua inteiramente os médicos, funcionando mais como um auxílio. O melanoma em algumas partes do corpo, como dedos ou o couro cabeludo, é difícil de visualizar e a Inteligência Artificial pode ter dificuldade em reconhecer lesões que sejam consideradas atípicas.