Cuba pede apoio aos EUA e ao Canadá na investigação ao "ataque sónico" a diplomatas

Em causa está um alegado ataque a diplomatas norte-americanos a trabalhar na embaixada dos EUA em Havana, que no final de 2016, provocou lesões cerebrais.

Washington não responsabilizou directamente o regime cubano pelo incidente
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Washington não responsabilizou directamente o regime cubano pelo incidente Reuters/ALEXANDRE MENEGHINI

Um dos investigadores seniores cubanos encarregue da investigação ao alegado “ataque sónico” à embaixada dos EUA em Havana que provocou lesões a 24 diplomatas quer a colaboração das autoridades norte-americanas e canadianas para resolver o misterioso episódio. Em causa está um ataque confirmado pelo Departamento de Estado norte-americano em meados de Agosto do ano passado e que resultou na perda de audição, lesões cerebrais e outros sintomas ao nível do sistema nervoso central a um grupo de diplomatas dos EUA que trabalhavam na embaixada com morada na capital cubana.

Agora, um dos investigadores, Luis Velázquez — um neurologista e recentemente nomeado presidente da Academia das Ciências cubana — pediu aos EUA e ao Canadá que se junte à equipa de investigação que está a analisar as alegadas provas do ataque, conta o Guardian.

A razão desta decisão assentará no clima de desconfiança em torno da investigação, com alguns cientistas cubanos a questionarem se o ataque aconteceu mesmo, argumentando que os sintomas apresentados pelos diplomatas afectados poderão ser até resultado de pressão psicológica e elevados níveis de stress consequentes do ambiente de trabalho vivido na embaixada.

O alegado ataque remonta ao final de 2016, quando os diplomatas começaram a exibir sintomas inexplicáveis de contusão e acelerada perda de audição, entre lesões cerebrais e outros sintomas ao nível do sistema nervoso central, como problemas de sono, concentração e visão. As razões foram, à data, atribuídas à exposição a ultra-sons, através de um sinal acústico fora da gama audível do espectro sonoro, alegadamente emitido por aparelhos de espionagem, num ataque continuado.

Apesar de alguns oficiais norte-americanos não identificados afirmarem que se tratou de um ataque, a investigação da polícia federal norte-americana (FBI) não encontrou quaisquer provas. Já no Canadá a investigação ainda prossegue. Em Abril, o Governo canadiano anunciou que iria chamar as famílias dos dez funcionários canadianos a trabalhar em Havana e que apresentaram sintomas semelhantes aos diplomatas norte-americanos. Na última semana, um diplomata norte-americano na embaixada dos EUA na China queixou-se de sintomas semelhantes.

A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos confirmou que foi contactada, mas não prestou mais esclarecimentos.