Opinião

Precisamos de petróleo para acabar com o petróleo!

A existência de petróleo poderá trazer-nos a capacidade de fazer a transição para uma economia mais limpa.

“Que o mar com fim será grego ou romano: o mar sem fim é Português”
In Mensagem, Fernando Pessoa

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Alterar o paradigma da energia é um dos maiores desafios globais das próximas décadas. Como responder à crescente procura de energia, impulsionada pelo rápido crescimento da população mundial, garantindo a sustentabilidade do modelo de desenvolvimento e a mitigação das alterações climáticas? É fundamental encontrar os caminhos viáveis para reduzir as emissões de carbono, garantindo o acesso universal e a segurança energética da população mundial.

Neste contexto, é essencial os governos assumirem políticas de energia de longo prazo que respondam aos reptos da transição energética de garantir a maior eficiência e um mix energético cada vez mais suportado em energias renováveis competitivas. Este caminho não se faz sem um forte investimento em investigação e inovação que exigirá financiamento muito elevado e em que ganharão liderança aqueles países que, por terem a oportunidade de explorar os seus recursos petrolíferos, têm os fundos para o fazer. No contexto europeu assistimos à aposta nas energias renováveis com políticas de tarifas subsidiadas. Dado o risco de segurança de abastecimento das energias renováveis, vários países foram obrigados a reativar centrais termoelétricas (a carvão) para suprir as suas necessidades. Mais do que subsidiar alternativas de produção de energia pouco competitivas, é fundamental investir em investigação para aumentar a eficiência e reduzir os custos de produção de energia renovável. Neste cenário, os combustíveis fósseis têm tido um papel fundamental, como financiadores da transição.

Portugal apostou fortemente no desenvolvimento das energias renováveis e depara-se hoje com o problema da sustentabilidade financeira do seu sistema elétrico. Pagamos caro pela energia renovável que produzimos e pelo muito petróleo de que ainda necessitamos. O país apresenta uma elevadíssima dependência energética do exterior – 75% da energia produzida provém das importações de combustíveis fósseis e 25% das energias renováveis. Dos combustíveis fósseis utilizados para produzir energia, o petróleo representa 57%, o gás natural representa 26% e o carvão 17%. O resultado desta conjugação é conhecido: pagamos a segunda eletricidade mais cara da Europa com custos para a competitividade da nossa economia e o desenvolvimento social do país.

Neste contexto, Portugal aguarda com expectativa a sondagem de pesquisa de petróleo ao largo da costa de Aljezur. A não realização desta sondagem significaria que o país se ia dar ao luxo de ficar na ignorância relativamente a um recurso ainda tão importante para as nossas vidas e com um imenso valor económico.

Esta é uma situação recorrente em diversos momentos da nossa vida económica e que, porque decidimos com base da nossa vontade de parecer bem, mais do que na necessidade de fazer bem, acabámos por prejudicar o nosso desenvolvimento para deixar a imagem de que estamos a contribuir para salvar o mundo.

A decisão tomada sobre a utilização da energia atómica em Portugal foi sempre condicionada pela falta de segurança que representava a sua produção. No entanto, aqui muito próximo, Espanha produz energia atómica deixando-nos correr, exatamente, o mesmo risco que correríamos se a produzíssemos e sem qualquer vantagem ao nível da competitividade de preço que tal energia permitia.

Por isso, defendo com convicção que este nosso país estude, avalie e explore a possibilidade da existência de petróleo, que nos poderá trazer a capacidade de fazer a transição para uma economia mais limpa, mas em condições que nos permitam estar na linha da frente, entre os países que são relevantes na condução do mundo e com um nível de vida que permita ao povo português sair da mediania baixa em que tem vivido grande parte da sua história.

Mas ponho como condição que o produto resultante da riqueza produzida por este recurso seja dirigida exclusivamente para duas linhas investimento, uma ligada com a renovação energética do nosso país e outra para a investigação e desenvolvimento da economia do mar, este sim um factor de riqueza futuro que Portugal não pode perder.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico