“Se discorda, teria frontalidade para o dizer”, reage PSD a renúncia de Santana

Secretário-geral responde a carta de renúncia de Santana ao lugar de número 1 no Conselho Nacional. O clima é frio.

Relações públicas
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No congresso, Rio e Santana fizeram um acordo que entretanto se desmoronou Miguel Manso

A direcção do PSD recebeu com alguma frieza a notícia de que Pedro Santana Lopes decidiu renunciar ao lugar de número 1 no Conselho Nacional, para o qual fôra eleito nas listas de Rui Rio.

O ex-primeiro-ministro enviou a carta de renúncia na sexta-feira, noticiou o Expresso. Ao PÚBLICO, o secretário-geral do PSD, José Silvano, considerou que nesta renúncia  “o facto político relevante não é nenhum”. Pedro Santana Lopes “achou que não tinha vontade de participar. Não conheço nenhum outro motivo, nem atribuo outro significado”, explica Silvano, referindo-se às razões invocadas pelo ex-líder do PSD na carta - razões pessoais.

“Se há outros motivos, Santana tem a frontalidade suficiente para o assumir. Ele, aliás, é conhecido por isso. Quando tem uma coisa para dizer, não tem problema em dizê-lo”, afirmou José Silvano, numa altura em que a renúncia de Santana está a ser vista no PSD como a ruptura final do ex-autarca de Lisboa com Rui Rio. Os dois defrontaram-se nas directas do PSD, tendo Rio ganho as eleições por 54,3 por cento dos votos. Três semanas mais tarde, em pleno congresso, os ex-adversários fizeram um acordo de paz que passou, entre outros aspectos, por Santana indicar nomes para os órgãos nacionais na proporção dos votos que obteve nas directas.

No entanto, os problemas surgiram desde a primeira hora. Ainda no congresso, Santana não gostou dos lugares que lhe estavam a ser atribuídos e ameaçou não levar avante o acordo. O pacto de concórdia acabou por seguir em frente com Santana a encabeçar a lista ao Conselho Nacional. Depois disso, Santana não terá gostado de não ter sido ouvido para a escolha de nomes do Conselho Estratégico Nacional, que integra os porta-vozes e ministros-sombra sectoriais do PSD.

Ao PÚBLICO, o ex-líder do PSD garante que a sua intenção “não foi romper ou deixar de romper”. “O que me fez tomar esta atitude são mesmo razões pessoais e profissionais. Um eleito tem a obrigação de ir ao Conselho Nacional e vai agora haver um. Eu não quero, nem posso estar a ir a todas as reuniões do Conselho Nacional”, explica. “Entendo que é o mais correcto. Fico mais tranquilo. Assim, posso ir quando entender”, acrescenta. Santana perde o lugar para que foi eleito no Conselho Nacional mas mantém a inerência à conta de ter sido presidente do PSD.

Sobre divergências com Rio, diz que “a única coisa que existiu foi aquele momento no congresso” e rejeita conflitos com a actual direcção por causa de “lugares”, recusando comentar “as opções estratégicas” do líder. “Não estou envolvido no percurso que está a ser trilhado. Se estivesse, faria o sacríficio de lá ir ao Conselho Nacional”, explicou ainda.