Opinião

Cartas ao director

Pós-verdade, a marca branca da mentira

Já vários articulistas se referiram se à designada pós-verdade, um neologismo que foi eleito como a palavra do ano pelo dicionário “Oxford” no ano de 2016. Hoje a pós-verdade já constitui uma praga que está impregnando os interstícios de nossa sociedade. A frase ambígua e perigosa de Nietszche,  afirmando que “não há factos, apenas versões”, poderá conduzir a terrenos movediços onde caminha a opinião pública que, zaranza e confusa, não conseguirá estabelecer o verdadeiro rumo, o caminho da verdade, acabando por imergir. Porque depara com várias “verdades”.                                                                                                                                                                                                                                                                                               A popularização do termo pós-verdade constitui algo mais que um fenómeno nominal, significa o surgimento e consolidação de uma mentira de nova geração, muito nociva em termos democráticos. A assombrosa capacidade da mentira para reinventar-se explica sua vigência e penetração na nossa sociedade, indefesa e acrítica, ante a imposição irracional e avassaladora dos seus diktats e o manejo de uns códigos e métodos particularmente eficazes. A pós-verdade recorre a mensagens, esquemas, argumentos e relatos aparentemente verdadeiros, sem verdadeiramente o serem, geralmente imbuídos de uma carga emocional que supre e dissimula qualquer assomo de autenticidade. A primazia de um sucedâneo adulterado da realidade sobre a própria verdade implica que já não importa que uma mensagem ou um relato seja autêntico, desde que aparente ser, desde que logre mobilizar emocionalmente um número suficiente de activistas através das redes sociais.

António Cândido Miguéis, Vila Real

Avaliação de Professores

A maior parte das avaliações dos professores universitários colocam demasiado ênfase na publicação de artigos científicos, ignorando aspectos essenciais como a qualidade do ensino. Neste sentido, não é por isso, de surpreender a duplicação de publicações em revistas científicas, desde 2003. Em contrapartida, os parcos dados relativos à qualidade do ensino parecem evidenciar uma clara deterioração, uma vez que os professores acabam por despender grande parte da sua energia na pesquisa e redação de artigos, ignorando a relação com os  discípulos e a transmissão de conhecimentos aos alunos. Como a formação do nosso futuro depende deste parâmetro, que tem sido descurado, pelas universidades, o governo Britânico está a criar um sistema de avaliação das aulas, que deverá ser implementado em todas as universidades, contribuindo para a progressão na carreira dos professores. Em Portugal, o ministério da tutela deveria procurar integrar a avaliação da qualidade lectiva dos professores, na avaliação global, promovendo a preparação dos alunos para o futuro profissional.

João António do Poço Ramos, Póvoa de Varzim