Às vezes, os hipopótamos defecam tanto que matam todos os peixes à sua volta

Para infortúnio dos peixes, estes mamíferos de grande porte passam grande parte do seu tempo na água, para regular a sua temperatura. As fezes dos hipopótamos fazem com que os níveis de oxigénio na água baixem.

Mara River, Hippopotamus, Maasai Mara
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Um hipopótamo nas águas acastanhadas do rio Mara Goran Tomasevic/REUTERS

Um grupo de cientistas norte-americanos descobriu que existe uma relação directa entre a quantidade de fezes de hipopótamo na água e o número de peixes mortos (às vezes são milhares). Quando os mamíferos herbívoros defecam em grande quantidade para a água – algo descrito pelos investigadores como uma descarga de nutrientes e matéria orgânica – os ecossistemas aquáticos são afectados, podendo dar-se um caso de hipoxia (a diminuição da concentração de oxigénio no sangue ou nos tecidos, semelhante ao que acontece em águas muito poluídas), lê-se num artigo publicado na revista científica Nature Communications na semana passada.

A morte maciça de peixes começou por causar estranheza a Christopher Dutton e a Amanda Subalusky, dois dos autores do estudo, que ficavam admirados com o fenómeno, sem razão aparente. Os moradores locais pensavam que fosse culpa da poluição, dos pesticidas deitados ao rio, conta a revista The Atlantic, mas as experiências levadas a cabo pelos cientistas viria a identificar os verdadeiros culpados: os hipopótamos. Os dois investigadores estudaram o caso do Rio Mara, na Tanzânia, no Leste africano.

Ao todo, os cientistas registaram 49 descargas do género que baixaram os níveis de oxigénio nas águas, havendo nove ocorrências, ao longo de cinco anos, que resultaram na morte por asfixia de praticamente todos os peixes que estavam na água. “Se pusermos redes na água só durante alguns segundos, o centro ficará coberto de fezes de hipopótamo”, refere Dutton. “Há fezes de hipopótamo em todo o lado: nas rochas, no fundo”.

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Os hipopótamos a dormir a sesta no rio Mara Goran Tomasevic/REUTERS

Ainda assim, os cinco cientistas (há três outros além de Dutton e Subalusky) admitem que este fenómeno possa ter vindo a diminuir nos últimos anos, devido à redução do número de hipopótamos. Estima-se que haja cerca de 70 mil hipopótamos na zona Este de África, o que resulta em toneladas e toneladas de excrementos por ano.

Como estes mamíferos são dependentes da água, que os ajuda a regular a temperatura do corpo durante o dia, grande parte desses excrementos são libertados directamente nos ecossistemas aquáticos. Os hipopótamos são uma espécie vulnerável no que toca à conservação e vivem sobretudo em locais junto a rios, lagos e a outros cursos de água.