Duarte Cordeiro: "Compromissos à direita não são a essência do PS"

Duarte Cordeiro diz que "seria um erro" fechar o diálogo à esquerda. O também subscritor da moção de Pedro Nuno Santos explica que o texto não é uma crítica ao ministro da economia.

Duarte Cordeiro não tem dúvidas. Apesar de António Costa ter voltado a definir o PS como partido charneira, sem grandes definições, a ideia do PS é continuar o que tem feito até aqui: diálogar à esquerda com compromissos pontuais à direita.

“Agarro-me muito ao que António Costa tem dito até hoje: o PS, essencialmente, tem razões para querer manter o rumo. Não faz sentido o PS fechar porta ao diálogo. Conseguiu mostrar que é possível governar com o seu programa em diálogo com outros partidos políticos e com entendimentos pontuais. Pode continuar o trajecto que definiu. Não há nada nas palavras de António Costa que contrarie isto. Acho que o PS num congresso antes de eleições legislativas deve dizer quais são as bases e olhar para o eleitorado todo e pedir o máximo de apoio”, defendeu em conversa com o PÚBLICO.

Mas não deveria o secretário-geral do partido ser mais claro nesta altura? Perante esta pergunta, o líder da Federação da Área Urbana de Lisboa relembra que Costa já disse que se o PS tiver "maioria absoluta" continuará o diálogo à sua esquerda. "Sinto afinidade com esta posição".

O PS tem, antes deste congresso, passado por algum debate ideológico, com Augusto Santos Silva a defender uma posição mais próxima da terceira via e a dizer, em entrevista à TSF, que na verdade o mais fácil o PS já fez, que foi convencer o PCP e o BE numa altura em que o PSD era um inimigo a atacar. “Não somos analistas para analisar os programas e as opções dos outros. Temos de nos concentrar naquilo que é o nosso programa e perceber junto do eleitorado se estamos ou não fechados a entendimentos”, começa por dizer Duarte Cordeiro quando questionado sobre esta ideia. Na opinião do dirigente socialista essa é uma opção errada: “Estamos disponíveis para renovar entendimentos”.

Entendimentos com prioridade para a esquerda, mas que, em matérias estruturais não dispensa a direita: “Nós somos alternativa à direita e às posições liberais. É isso que temos de afirmar, que somos a alternativa à direita. E depois devemos dizer que estamos disponíveis para entendimentos também e pontualmente com a direita, mas esses entendimentos não definem a substância, a essência, o corpo central do que é o nosso programa”, respondeu.

Para Duarte Cordeiro, “seria um erro, depois de sabermos que os portugueses apreciam essa capacidade de diálogo permanente, agora fecharmos a porta ao diálogo”.

O socialista vice-presidente de Fernando Medina na Câmara de Lisboa é subscritor da moção encabeçada por Pedro Nuno Santos, em que se defende que o Estado deve ter um papel regulador, mas sobretudo impulsionador da economia numa perspectiva coordenada, a que chama de “missões colectivas”, envolvendo o público e o privado, tendo em vista um objectivo comum. Essa não é uma visão de Estado controlador? “Significa que o Estado tem de ter a capacidade de focalizar os objectivos, de dar os apoios que já dá e de reforçar esses apoios, que têm de ser alinhados num objectivo. Se defendemos mais regulação e mais intervenção, não tenho nenhuma dúvida que defendemos”, sintetizou.

Uma política económica que pode ser vista como um chamar de atenção ao ministro da Economia. “Não é uma crítica ao ministério. Tem um programa de governo e tem estado a cumprir esse programa e nós estamos a falar para o futuro”, respondeu.