Irão pressiona europeus para haver "plano B" que salve acordo do nuclear

Teerão quer garantias de que as empresas europeias não vão fugir do país temendo ser atingidas pelas "sanções secundárias" dos EUA.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão termnou a reunião com os europeis, Rússia e CHina "mais optimista" quando à possibilidade de manter o acordo
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O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão termnou a reunião com os europeis, Rússia e CHina "mais optimista" quando à possibilidade de manter o acordo FLORIAN WIESER/EPA

O Irão pressionou nesta sexta-feira os países que se mantém no acordo sobre o nuclear depois da saída dos Estados Unidos para encontrarem um modo de contrariar os efeitos das sanções americanas e apresentarem até ao final de Maio um plano – de contrário, Teerão poderá decidi sair do pacto.

No dia em que os países que continuam no acordo se reuniram com o Irão pela primeira vez desde que Donald Trump decidiu não só sair do acordo como aplicar mais sanções, Teerão deu um ultimato até 31 de Maio ao Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China para que estes contrariem o efeito das sanções norte-americanas.

O Irão vinha a manifestar desconfiança de que fosse possível salvar o acordo, mas no final da reunião o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, disse que estava mais confiante.

As conversações entre altos responsáveis têm como objectivo encontrar uma espécie de "Plano B", um modo de manter o fluxo de petróleo que é comprado pela Europa e de manter também as empresas europeias a investir. 

O optimismo iraniano acontece apesar de um alto responsável europeu ter sublinhado que qualquer oferta não poderá ser imediata. “Deixámos muito claro que vamos precisar de mais tempo”, declarou uma fonte europeia que falou sob anonimato à Reuters.

“E se por um lado não podemos dar garantias, podemos criar as condições necessárias para que os iranianos beneficiem do levantamento de sanções no âmbito do acordo e que protejamos os nossos interesses e continuemos a desenvolver negócios legítimos com o Irão”.

O principal problema, explica o diário britânico The Guardian, são as sanções secundárias dos EUA, que querem punir as empresas europeias que continuem a ter negócios no Irão. Muitas empresas com presença no Irão têm interesses nos EUA, e estes são regra geral muito maiores, por isso os europeus estudam mecanismos para proteger legalmente as empresas destas sanções, caso contrário, a maioria escolheria manter-se nos EUA.

O jornal fala de um “intenso descontentamento em algumas capitais europeias, nomeadamente Paris, em relação ao tom unilateral da abordagem americana” e este notou-se quando, num encontro com Vladimir Putin em São Petersburgo, o Presidente francês Emmanuel Macron criticou Donald Trump.

Macron disse que a única razão pela qual Trump não gostava do acordo era por este ter sido negociado pelo seu antecessor, Barack Obama, e ainda que a abordagem ao acordo “não é séria”, sublinhando que a Agência Internacional de Energia Atómica mantém que o Irão está a cumprir o acordo.

As empresas francesas e de outros países, acrescentou Macron, devem ter a oportunidade de “manter o seu lucro económico, apesar das sanções norte-americanas, e manter a presença económica no Irão”. Assim, “a Europa deve ter uma soberania económica mais forte”, disse Macron.