O tio Apichatpong que se lembra das suas obras anteriores (em São João da Madeira)

A Serenidade da Loucura chega ao Núcleo de Arte da Oliva a 22 de Junho, naquela que será a única apresentação europeia da exposição retrospectiva do cineasta tailandês.

Apichatpong Weerasethakul, Fogos de Artifício (arquivos), Bienal de Arte Contemporânea de Lyon, Diretor de Cinema, Arte
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A Serenidade da Loucura, exposição retrospectiva do cineasta tailandês que anda em digressão pelo mundo desde 2016, terá no Núcleo de Arte da Oliva a sua única apresentação europeia

Depois da colaboração com Joaquim Sapinho que levou até ao MAAT, em Lisboa, a instalação Liquid Skin, o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul regressa aos espaços expositivos nacionais com A Serenidade da Loucura. É esse o título da exposição retrospectiva que, desde 2016, está em tournée pelo mundo, “aterrando” no Núcleo de Arte da Oliva, em São João da Madeira, de 22 de Junho até 2 de Setembro – naquela que será a sua única apresentação europeia. Comissariada por Gridthia Gaweewong (que fundou com o realizador o Festival de Cinema Experimental de Banguecoque), The Serenity of Madness, no seu título original, teve a sua primeira inauguração no Museu de Arte Contemporânea MAIIAM de Chiang Mai, na Tailândia, e passou entretanto por Hong Kong, Manila, Chicago e Oklahoma City.

Quem já a visitou diz ter sido transportado para o interior de um dos muitos espaços oníricos dos filmes do tailandês – afinal, parte dos materiais apresentados na exposição corresponde à pesquisa para filmes como Blissfully Yours (2002), enquanto alguns dos trabalhos em vídeo decorrem de Primitive, o projecto multimédia no qual se integra O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores, o filme que lhe valeu a Palma de Ouro de Cannes em 2010. E, num momento em que não se anuncia (ainda) nenhum filme novo (o último foi Cemitério do Esplendor, em 2015), Weerasethakul parece estar cada vez mais activo no mundo das artes visuais e multimédia, uma duplicidade que sempre fez parte da sua prática artística. Recordemos que a sua primeira instalação a solo, Waterfall, se mostrou em 2006 na Solar – Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, e que o Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, foi um dos palcos por onde passou, via Festival Temps d'Images, o seu híbrido Fever Room (que os críticos de arte do Ípsilon puseram em primeiro lugar no best of de 2016); mais recentemente, já em Janeiro deste ano, o tailandês levou ao festival de cinema de Roterdão Sleepcinemahotel, instalação imersiva de imagens projectadas durante a noite, com os espectadores alojados em quartos de hotel.

Ao todo, A Serenidade da Loucura mostrará uma dezena de instalações vídeo e outras tantas impressões fotográficas de grande formato, divididas em duas secções – uma mais “abstracta”, mais próxima das grandes questões da memória e do tempo que trabalham o cinema de Weerasethakul, outra mais “pessoal”, com o seu olhar sobre o seu mundo e as suas referências. A apresentação da exposição em São João da Madeira integra-se na aposta do Núcleo de Arte da Oliva nos cruzamentos multidisciplinares, seguindo-se-lhe, a partir de Novembro, a exposição Cruzamentos entre Arte e Cinema: Narrativa, Montagem, Projecção, comissariada por Andreia Magalhães.

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