Sindicatos dizem que greve dos técnicos de diagnóstico já é "uma das maiores"

Manifestação frente à Assembleia da República terá juntado mais de 1500 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, num universo de cerca de 8000, segundos números dos sindicatos. "Seguramente que a greve amanhã [sexta-feira] ainda será superior", disse dirigente sindical.

Porto, Rádio Nova
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Fabio Augusto

A greve dos técnicos superiores de diagnóstico, agendada para esta quinta e sexta-feira, é já "uma das maiores" destes profissionais, adiantaram os sindicatos, que apontaram níveis de adesão entre os 80% e os 90% e alguns serviços completamente paralisados.

"Há serviços que ficaram sem trabalhadores e, portanto, foi 100%, mas há serviços que estão a 80%, a 90%. Diria que é uma das maiores greves que se fizeram no âmbito dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica", disse à Lusa José Abraão, secretário-geral da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP).

Segundo o dirigente sindical, a manifestação desta quinta-feira, frente à Assembleia da República, foi também "uma das maiores" dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, com mais de 1500 profissionais presentes, num universo de cerca de 8000, acrescentando que as informações indicam que a greve vai em crescendo, havendo "cada vez mais trabalhadores em greve, pese embora estejam a garantir os serviços mínimos".

"Seguramente que a greve amanhã [sexta-feira] ainda será superior", disse.

"Há sempre trabalhadores que no primeiro dia de greve ainda têm alguma hesitação, mas no segundo acabam por se convencer, até pelo volume de trabalhadores que fizeram greve. Estou perfeitamente convencido que amanhã será ainda maior e só temos que pedir desculpa aos utentes dos serviços. Não é contra eles, é para exigirmos negociação para resolver um problema que já tem 18 anos", acrescentou.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica iniciaram nesta quinta-feira dois dias de greve nacional por falta de acordo com o Governo sobre matérias relativas às tabelas salariais, transições para nova carreira e sistema de avaliação.

Sindicatos vão reunir com Governo

A greve é convocada pelas quatro estruturas sindicais que representam os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, com a paralisação a afectar análises clínicas, meios complementares de diagnóstico e alguns tratamentos.

Os sindicatos alegam que a tabela salarial imposta pelo Governo faz com que cerca de 90% dos técnicos permaneçam na base da carreira toda a sua vida profissional. Além disso, dizem que o sistema de avaliação imposto prolonga a estagnação salarial por mais 10 anos.

Argumentam ainda que o Governo violou o acordo firmado com os sindicatos, reduzindo a quota dos que atingem o topo da carreira em 50%.

A greve, que se prolonga até às 24h de sexta-feira, prevê o cumprimento de serviços mínimos, abrangendo tratamentos de quimioterapia e radioterapia ou os serviços de urgência.

José Abraão disse ser um "sinal positivo" do Governo a convocatória recebida pelos sindicatos esta tarde para estarem presentes numa reunião negocial no Ministério da Saúde na próxima segunda-feira, 28 de Maio, pelas 14h30.

"Tudo indica poderão existir propostas novas que aproximam posições, indo ao encontro daquilo que era a razão de ser da nossa greve, que era o Governo aproximar posições, porque fizemos a greve para negociar. Se a negociação vai acontecer na próxima segunda-feira é um sinal positivo. Vamos ver que propostas novas o Governo tem para nos apresentar e significa que a negociação vai continuar. Vale a pena lutar", disse o sindicalista.