Opinião

CPPC: Conselho de Pura Propaganda Comunista

É para estas coisas que servem os CPPC desta vida: camuflar sob a capa da “paz” e da “cooperação” a promoção de regimes abjectos.

Todos nós conhecemos um partido chamado Os Verdes, que finge diariamente no Parlamento ser uma coisa diferente do PCP, apesar do sentido de voto dos dois partidos coincidir em 95% das votações. É uma estratégia antiga dos comunistas, com várias ramificações – o partido das paredes de vidro tem 1001 faces e é um velho profissional da camuflagem. Reconhecendo que a palavra “comunista” desperta reservas em gente moderada, os comunistas portugueses inventaram associações com nomes amigáveis e cheias de boas intenções estatutárias, que exercem as suas actividades disfarçadas de entidades independentes, embora não sejam outra coisa que extensões do partido e coio dos seus funcionários. O exemplo que hoje quero trazer para aqui chama-se Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC).

Se bem se recordam, o CPPC foi notícia em Julho do ano passado, quando resolveu promover em Lisboa uma acção de propaganda em louvor da “revolução bolivariana”, no dia da Venezuela. Como se não fosse já suficientemente repugnante ver uma associação portuguesa defender o regime de Nicólas Maduro, o país ainda teve de levar com o envolvimento da Banda do Exército no evento, a entoar os hinos de Portugal e da Venezuela no meio de loas ao senhor dos fatos de treino berrantes. Claro está que a indignação foi episódica e ninguém chegou realmente a explicar como foi o Exército português parar a um evento de promoção de um ditador. É para estas coisas que servem os CPPC desta vida: camuflar sob a capa da “paz” e da “cooperação” a promoção de regimes abjectos.

Há dias, um leitor escreveu-me a dar conta de que o CPPC continua por aí vivo e saltitante, a organizar bonitos concertos pela “paz” – e, nem por acaso, esbarrei com um cartaz a anunciar cantoria no Fórum Lisboa. Concluí que esta coincidência astral merecia um regresso ao tema. O problema do conceito de paz do CPPC, presidido pela infatigável Ilda Figueiredo, é ser muito selectivo. Por exemplo, Israel faz a guerra, enquanto os palestinianos lutam pela paz. Os rebeldes sírios são da guerra, enquanto o regime de Bashar al-Assad, segundo o CPPC, é da paz. O mesmo em relação àquele senhor da Coreia do Norte que constrói armamento nuclear para alcançar a paz. E, claro, o CPPC desdobra-se igualmente em solidariedade “para com o povo venezuelano e as forças patrióticas e democráticas bolivarianas”, que apenas pretendem “continuar a percorrer o caminho da paz, da democracia, da tolerância”. Há lá melhor forma de descrever o regime de Maduro.

A liberdade de associação está constitucionalmente garantida – e bem. Mas, por favor: não nos enfiem duas facas nos olhos dizendo que é uma operação às cataratas. O CPPC é um mero braço do PCP e não deve ser confundido com qualquer outra coisa. Após uma breve pesquisa na Net descobri que a câmara de Almada classificou o CPPC em 2015 como uma instituição de “organização e intervenção plural” e lhe atribuiu 2000 euros. E a câmara de Vila Nova de Gaia atribuiu-lhe mais 2000 euros em 2017, exactamente com o mesmo argumento da pluralidade e do “grande prestígio internacional”. Ora, isto não é sério. Aliás, é até uma valente palhaçada, e uma forma encapotada de financiar o PCP e as suas ideias. Assim não vale. O PCP que desvie dinheiro de uma rulote de bifanas da Festa do Avante! e financie ele mesmo o CPPC. Não é preciso riscá-lo do mapa das associações nacionais. Mas convém reconhecê-lo por aquilo que é: Conselho de Pura Propaganda Comunista.