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O software e equipamentos da impressora 3D foram desenvolvidos pela empresa de Aveiro. Foto
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A empresa quer agora aplicar a tecnologia a sectores como o automóvel, do calçado e da electrónica. Foto
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A BEETHEFIRST tem uma irmã gémea melhorada, a BEETHEFIRST+. Foto

Há uma impressora 3D feita em Ílhavo a caminho do espaço

Já foi entregue à Agência Espacial Europeia o protótipo de uma impressora 3D desenvolvida em Ílhavo e capaz de imprimir, no espaço, peças e ferramentas úteis para os astronautas. A BeeVeryCreative, responsável pelo software e equipamentos, quer agora aplicar a tecnologia às indústrias terrestres

Foi nas instalações da BeeVeryCreative, em Ílhavo, que nasceu o protótipo de uma impressora a três dimensões para a Agência Espacial Europeia (ESA), capaz de imprimir, em ambiente de microgravidade, peças e ferramentas úteis para os astronautas. A empresa portuguesa pretende agora aplicar a tecnologia desenvolvida a pensar na indústria espacial às indústrias “terrestres”.

 

Há quatro modelos de impressora 3D com o carimbo BeeVeryCreative — incluindo um exclusivo para o segmento da Educação, a BeeInSchool. Sediada na cidade do distrito de Aveiro, a empresa dedica-se também a trabalhos “por medida”, como é o caso do Projecto MELT (Manufacturing of Experimental Layer Technology), para a ESA. O objectivo foi desenvolver e testar um protótipo de uma impressora 3D preparada para imprimir in loco peças de substituição e ferramentas, em melhores materiais do que a impressora 3D produzida pela NASA para a Estação Espacial Internacional (EEI), a Additive Manufacturing Facility. A BeeVeryCreative integrou o consórcio internacional — constituído pela Active Space Technologies, de Coimbra, e duas empresas alemãs (SONACA Space e OHB-System) — que ganhou o concurso público lançado em 2015 pela ESA. Concluídas todas as fases de desenvolvimento do projecto, dois anos e meio depois o protótipo foi entregue para teste.

 

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A BEETHEFIRST tem uma irmã gémea melhorada, a BEETHEFIRST+. Foto

À equipa de engenheiros portugueses — cerca de metade dos 26 trabalhadores da empresa — coube o desenvolvimento do software e equipamento, que utiliza o polímero peek, um termoplástico de alta performance capaz de simular “as propriedades dos materiais que estão na EEI” e com "alta resistência a condições limite e amplitudes térmicas", como clarifica Sérgio Moreira. As peças que esta impressora consegue produzir são de pequenas dimensões — no máximo, dez centímetros de altura —  e demoram algumas horas a ser impressas, o que mesmo assim é uma vantagem considerável para quem está a bordo de uma estação espacial.

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A empresa quer agora aplicar a tecnologia a sectores como o automóvel, do calçado e da electrónica. Foto

 

Agora, com o apoio do Instituto Pedro Nunes, a BeeVeryCreative vai aproveitar o conhecimento obtido neste projecto para desenvolver uma nova impressora 3D dirigida às indústrias que precisem de incluir a prototipagem rápida nos seus processos produtivos, como os sectores automóvel, do calçado e da electrónica. A tecnologia está ainda numa fase de desenvolvimento e, por isso, só daqui a dois anos deverão estar prontos para teste “em ambiente final” os primeiros protótipos. Sérgio Moreira garante que a impressora "terá um preço e características muito competitivas face àquilo que é oferecido hoje em dia no mercado". Com esta nova solução, as indústrias poderão criar protótipos "rápida e internamente", com elevada qualidade de impressão e precisão dimensional, facilidade de utilização e diversidade de materiais, beneficiando assim de uma redução "drástica" do tempo e do custo de todo o processo de desenvolvimento do produto.

 

A BeeVeryCreative nasceu há cerca de seis anos, com o desenvolvimento de electrónica para a impressão 3D. Em 2013 saltou para a ribalta ao criar a BeeTheFirst, a primeira impressora 3D portuguesa. Para Sérgio Moreira, gestor de marketing, a empresa introduziu no mercado “um conceito completamente” diferente daquele que existia. Enquanto as outras impressoras 3D eram “muito robustas e direccionadas para pessoal especializado”, a empresa do distrito de Aveiro aplicou “o design e a usabilidade a este tipo de equipamentos”. Agora, basta encomendar a impressora online, retirar da caixa, ligar um cabo e deixá-la fazer o seu trabalho. A BeeTheFirst — que desde 2013 já recebeu cinco prémios internacionais e um português — é vendida para vários países.

 

Em 2016, a BeeVeryCreative foi considerada uma das três marcas portuguesas do ano e em 2015 nomeada Empresa Gazela, prémio atribuído a empresas jovens e com elevados ritmos de crescimento. E foi precisamente este crescimento que permitiu reduzir o preço da “impressora primogénita” em mil euros: começou nos 2200 euros e, hoje em dia, ronda os 1600.