Companhias aéreas cedem a exigência de Pequim e adoptam referência “Taiwan, China”

Empresas de todos os sectores receiam retaliações que provoquem perdas económicas se não cumprirem as regras da China.

Aeroporto de Heathrow, British Airways, voo, grupo de companhias aéreas internacionais, Norwegian Air Shuttle
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Reuters

Vinte companhias áreas passaram a referir-se a Taiwan como parte da República Popular da China, cumprindo uma exigências de Pequim, apesar de a ilha funcionar como um Estado soberano.

British Airways, Lufthansa e Air Canada são algumas das companhias que se referem já a Taiwan como parte da China, quando faltam apenas três dias para dezenas de operadoras decidirem se cumprem com as ordens de Pequim ou enfrentam consequências que podem paralisar os seus negócios no país, incluindo sanções legais.

A 25 de Abril, a Administração de Aviação Civil da China enviou uma carta a 36 companhias aéreas, na qual exige explicitamente que se refiram a Taiwan como parte da China.

A Transportadora Aérea Portuguesa (TAP) não inclui Taiwan entre os seus destinos. 

A adopção de "Taiwan, China" ou "Taiwan, República Popular da China" nos portais electrónicos e mapas das companhias aéreas representa outra vitória nos esforços do Partido Comunista Chinês (PCC) em fazer as empresas estrangeiras aderir à sua visão geopolítica, mesmo em operações fora do país.

Críticos afirmam que a crescente pressão exercida pela China, usando o seu poderio económico para forjar novas normas internacionais – neste caso o estatuto de Taiwan – gera preocupações. "O que está aqui em jogo é que nós estamos a permitir que um regime revisionista, com um historial terrível no que toca a liberdade de expressão, dite o que nós dizemos e escrevemos nos nossos países", afirmou J. Michael Cole, investigador do China Policy Institute e do programa de estudos de Taiwan na Universidade de Nottingham, citado pela Associated Press. "Se Pequim não se deparar com limites, vai continuar a pedir mais", acrescentou.

Taiwan assume-se como República da China, mas Pequim considera-a uma província chinesa e não uma entidade política soberana. "Opomo-nos veementemente aos esforços da China para atingir os seus objectivos políticos através da intimidação, coacção e ameaças", reagiu o ministério taiwanês dos Negócios Estrangeiros, num comunicado enviado à AP.

"Apelamos a todos os países do mundo que se mantenham unidos na defesa da liberdade de expressão e liberdade para fazer negócios. Apelamos também às empresas privadas que rejeitem colectivamente a exigência insensata da China para que alterem a designação de 'Taiwan' para 'Taiwan, China'", lê-se na mesma nota.

O Presidente chinês, Xi Jinping, avisou Taiwan de que a questão da reunificação não pode ser adiada para sempre, e as forças armadas chinesas têm enviado aviões de combate para junto da costa taiwanesa.

Várias multinacionais têm cedido à pressão de Pequim para alterarem as referências a Taiwan, apesar de o Governo dos Estados Unidos ter garantido que vai "apoiar os americanos que resistem aos esforços do PCC em impor as suas noções de politicamente correcto às empresas e cidadãos norte-americanos". Quanto a esta mudança pedida às companhias de aviação, Washington considerou-a um "absurdo orwelliano"

Na semana passada, a marca de roupa norte-americana Gap pediu desculpa à China por ter vendido T-shirts com um mapa "errado" do país, sendo que o mapa não mostrava Taiwan. Em Janeiro, a marca têxtil espanhola Zara, a companhia aérea norte-americana Delta AirLines e a fabricante de equipamento médico Medtronic pediram também desculpa por se referirem a Taiwan como um país nos seus sites.

"Não é possível dizer não", disse Carly Ramsey, especialista da Control Risks, consultora com sede em Xangai, a "capital" económica da China, citado pela AP. "Cada vez mais, em situações como esta, o incumprimento não é uma opção, se queres fazer negócios na China e com a China", explicou.