Estudo revela que as mulheres procuram parceiros parecidos com os irmãos

Num estudo, os investigadores pediram a um grupo de participantes que associasse rostos, sem saberem que se tratavam dos irmãos e dos parceiros de diferentes mulheres.

A actriz Maggie Gyllenhaal, ao lado do irmão (Jake Gyllenhaal) e do marido, Peter Sarsgaard
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A actriz Maggie Gyllenhaal, ao lado do irmão (Jake Gyllenhaal) e do marido, Peter Sarsgaard Getty/ Kevin Mazur

Investigadores da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, concluiram que as mulheres procuram parceiros com semelhanças físicas aos seus irmãos. De acordo com o estudo, publicado no Evolution and Human Behaviour Journal, a escolha de parceiro poderá estar calibrada para fazer a distinção entre parentesco e pessoas que têm apenas alguma semelhança genética.

"Numa investigação anterior já se tinha demostrado que as pessoas parecem, em média, escolher parceiros que se parecem de alguma forma com os seus pais", explica a investigadora principal, Tamsin Saxton, citada pela Broadly. Refere-se, por exemplo, ao estudo Sexual Imprinting in Human Mate Choice, liderado por Tamás Bereczkei. "Percebemos que [esta teoria] poderia também ser aplicada aos irmãos Por isso, queríamos testar se poderíamos detectar uma semelhança perceptual entre o irmão e parceiro de alguém", acrescenta.

Os investigadores pediram a um grupo de 32 mulheres voluntárias (entre os 19 e 40 anos) que enviassem fotografias dos seus irmãos e dos seus companheiros. Reuniram ainda 48 fotografias dos irmãos e parceiros de figuras públicas e celebridades. A partir dessas imagens, pediram então a 32 participantes – todas mulheres, de forma a centrar a investigação na percepção feminina – que avaliassem as semelhanças faciais dos homens, juntando aqueles que considerassem parecidos, sem mencionarem a relação entre os mesmos. 

Foi dada a cada participante uma folha de papel, na qual havia uma coluna com o irmãoe outra com quatro homens, entre eles o parceiro de cada uma das mulheres que enviaram as imagens. O desafio era escolherem qual dos quatro homens mais se assemelhava ao da primeira coluna. Havia, portanto, uma probabilidade de 25% de acertarem, sendo que o resultado da experiência foi uma taxa ligeiramente superior de 27%.

"[Os nossos resultados] não eram uma regra aplicável a todas as mulheres mas concluímos que, a níveis superiores ao acaso, os parceiros mostravam semelhanças subtis aos irmãos das mulheres", observa Saxton ao Independent.

"Os resultados que vemos no nosso estudo são semelhantes aos de investigação anterior focada nas semelhanças entres pais e parceiros", esclarece ainda ao PÚBLICO, por email. "O nosso estudo não nos permite distinguir a potencial influência de diferentes membros da família e isso é algo que investigações futuras poderão tentar fazer", acrescenta.

O estudo é realizado com a premissa de que o sucesso reprodutivo acontece, em teoria, quando o casal não é demasiado semelhante nem demasiado diferente, identificando consequências negativas em ambos os casos: se por um lado a consanguinidade pode, por exemplo, levar à acumulação de genes recessivos, o oposto pode impedir a continuidade de genes que foram adaptados de forma a funcionar bem com o ambiente local.

"As pessoas têm repulsa em imaginar ter relações com os seus irmãos, mas parecem escolher parceiros que mostram algumas semelhanças subtis aos irmãos", aponta ainda o estudo.