Força Aérea não sai do Montijo até operação estar assegurada

A cooperação tem tornado Portugal num país "mais influente e mais solidário", afirmou também o ministro da Defesa Nacional.

Azeredo Lopes nas cerimónias do Dia da Marinha
Fotogaleria
Azeredo Lopes nas cerimónias do Dia da Marinha LUSA/RUI MIGUEL PEDROSA
Celebração teve lugar em Peniche, distrito de Leiria
Fotogaleria
Celebração teve lugar em Peniche, distrito de Leiria LUSA/RUI MIGUEL PEDROSA

O ministro da Defesa Nacional assegurou este domingo em Peniche que a Força Aérea só vai sair da base do Montijo, para onde está projectado o novo aeroporto de Lisboa, quando não estiver em causa a continuidade da sua operação.

“Não há qualquer atraso” quanto à saída da Força Aérea da base do Montijo e “ainda não é possível estabelecer um calendário”, afirmou à agência Lusa José Azeredo Lopes, à margem das comemorações do Dia Marinha, em Peniche, no distrito de Leiria.

“A entrada de outros naquele espaço [base do Montijo] terá sempre de garantir que a Força Aérea continue a desenvolver a sua operação e essa é a garantia que temos de apresentar”, justificou.

Para o ministro da Defesa, as decisões do Governo em relação ao aeroporto “andam a par” com as da Força Aérea, motivo pelo qual, sublinhou, “seria impensável que Portugal ficasse com uma Força Aérea sem operação”, sem que estejam garantidas as condições para a Força Aérea operar noutro local.

A concessionária do aeroporto, a ANA - Aeroportos de Portugal já submeteu o Estudo de Impacto Ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade a quem caberá emitir um parecer final sobre os impactos ambientais.

Na quinta-feira, em declarações à agência Lusa, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas manifestou-se confiante no sucesso do projeto, sublinhando que o Montijo “é a melhor opção”.

“Este relatório não trouxe surpresas em relação ao que esperávamos. É uma infraestrutura que já serve de pista de aterragem [militar] e que, neste caso, terá uma mudança no seu uso, passando a ter também uma utilização por civis”, apontou o governante.

Sobre os alertas e sugestões deixadas por este estudo, Pedro Marques disse apenas que os impactos apontados “são limitados e capazes de ser mitigados”.

Para o governante, a opção no Montijo “é a mais eficiente” e a que “melhor servirá” a região de Lisboa e o país.

“Estamos confiantes no desenvolvimento deste processo para que a região de Lisboa e o resto do país não fiquem limitados no crescimento do turismo e da atividade económica por este constrangimento do aeroporto de Lisboa”, concluiu.

Ministro quer Defesa mais solidária 

O ministro da Defesa Nacional defendeu ainda, em Peniche, que Portugal deve ser mais solidário na área da defesa e assumir um papel de pacificador para reforçar as relações bilaterais com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Somos e devemos ser mais solidários e mais competentes porquanto, ao afirmarmos e partilharmos com países amigos uma responsabilidade que, sendo nacional, é global, fortalecemos o relacionamento bilateral e a componente de defesa da CPLP", disse José Azeredo Lopes.

Para o governante, Portugal tem também um "dever pacificador", já que "é reconhecido o contributo de Portugal para a modernização e transformação das Forças Armadas dos países da CPLP".

A cooperação tem tornado Portugal num país "mais influente e mais solidário, como atestam os programas quadro com que temos vindo a estreitar relações com os países da CPLP de que Angola é um caso feliz e mais recente", afirmou.

Em Angola, país que visitou na última semana a convite do presidente angolano, João Lourenço, Azeredo Lopes pode "testemunhar a norte de Luanda o contributo decisivo e fundamental que a Marinha tem dado e vai continuar a dar na Escola de Fuzileiros Navais de Angola".

O chefe do Estado-Maior da Armada, António Mendes Calado, sublinhou que a Marinha salvou 1300 vidas de imigrantes no mar Mediterrâneo em 2017, no âmbito do programa de controlo das fronteiras externas da União Europeia e de combate à migração irregular.

Sugerir correcção