O gin de luxo que é mais barato em Portugal do que no resto do mundo: o frutadíssimo Le Tribute

É espantosa a coordenação do gin e da água tónica Le Tribute: foram literalmente feitos um para o outro. As garrafas, bonitas e extremamente pesadas, são luxuosas.

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O gin Le Tribute é caro. Mas eis uma curiosidade: de acordo com a Winesearcher.com, é numa loja portuguesa que ela é mais barata: 34,21 euros na Garrafeira São João. Na garrafeira Estado Líquido custa 36,72 euros. E agora a parte sensacional: em Espanha, onde o gin Le Tribute é fabricado, o preço mais baixo é de 38,32 euros, na GuiaGinTonic.

É importante falar disto por causa da diferença violenta no preço dos gins em Espanha e Portugal. Em Espanha os gins são substancialmente mais baratos do que em Portugal. Porquê? Não é justo. Felizmente os consumidores portugueses têm bom remédio: é mandar vir os gins de uma das várias garrafeiras espanholas. Se um número suficiente de clientes fizesse assim (poupando muito dinheiro e tendo acesso a um número muito maior de gins), talvez as grandes empresas de distribuição prestassem atenção, embora fiquem sempre a ganhar.

Também é incrível que a Fever Tree cobre 1,50 euros por uma garrafa de 200 militros de água tónica que se pode comprar na GB Store em Cascais por 1,10, apesar de ser importada directamente do Reino Unido.

Mandando vir de Espanha uma garrafa pode custar 1,05 — e caso seja em quantidade suficiente (à volta de 200 euros) os portes são oferecidos.

Já que estamos em maré de queixas, também aproveito para protestar que não se possa comprar a água tónica Le Tribute em Portugal, forçando-nos a mandar vir de Espanha e doutros países. Mas — lá está — se é para aparecer a um preço muito mais caro do que no estrangeiro, não vale a pena. O preço mais baixo a que comprei esta água tónica foi 1,50 euros e o mais caro foi 2 euros.

É espantosa a coordenação do gin e da água tónica Le Tribute: foram literalmente feitos um para o outro. As garrafas, bonitas e extremamente pesadas, são luxuosas. A do gin é imediatamente reciclável mas a da água tónica, sendo de carica, é um problema. É pena, porque o vidro da garrafa é escuro, bom para guardar vermutes. Talvez a produtora, a Destilaria MG, pudesse pensar em fazer umas rolhas — idealmente um fecho de vidro, seguindo a tradição e a inspiração farmacêutica — para podermos reutilizar estas deliciosas garrafinhas que custam tanto deitar para o lixo.

É importante dizer que a MG já produz gin há muitos anos. Sabem claramente o que estão a fazer. São tudo menos principiantes. Os gins mais conhecidos — o MG e o Master’s London Dry — são muito populares em Espanha.

O grande êxito recente da MG é o Gin Mare, infundido com azeitonas Arbequina, tomilho, manjericão e outras ervas aromáticas. A primeira vez que experimentei — a seco e com tónica — fiquei horrorizado, tal era a distância dos gins a que estava habituado. Com o tempo, porém, tenho vindo a apreciar o Gin Mare: trata-se de um gin gastronómico, um caldo alcóolico. Experimentei-o num Red Snapper — a versão do Bloody Mary que leva gin em vez de vodka — e compreendi-o.

Também dá um surpreendente Dry Martini, sobretudo com azeitonas. Experimentei-o em Dirty Martini, com água de azeitonas, e não era mau. Mas a versão melhor de todas é o Dry Martini acompanhado com azeitonas verdes, Manzanilla ou Gordal.

Depois fiz um gin tónico com a água tónica recomendada pela MG, a chilena 1724 que se compra cá a preço exorbitante — e ficou muito bom.

De facto, é preciso adequar a água tónica ao gin. Mas também é importantíssimo o acompanhamento. Num bom bar ou hotel em Itália seria impensável servirem um gin tónico sem uma tigelinha com boas azeitonas verdes. As azeitonas ampliam o gin e o gin prolonga as azeitonas.

Há muito trabalho a fazer com os acompanhamentos. É ridículo que Portugal, com tão boas azeitonas, amêndoas e avelãs e tão bons pinhões e tremoços, sirva bebidas bem feitas com batata frita de pacote — ou nada.

O gin Le Tribute é gloriosamente citrino — até ao exagero. A harmonia com a tónica é celeste. Diz-se que é do acordo do limonete em ambas as bebidas. Mas não é uma aldrabice — é um gin seco e azimbrado.

Percebe-se que seja caro, até pela quantidade de destilações separadas. É um cocktail de gin de laranja, limão, lima, toranja e tangerina. Imagino que seja estupendo num Gin Rickey ou num Aviation.

Tem um defeito irritante que talvez se possa corrigir: tem um contragosto de rebuçado barato, muito artificial. É uma pena, num gin tão bem feito que abraça tão bem a contradição entre secura e fartura de fruta.