Erdogan deseja felicidades a Maduro para eleições boicotadas pela oposição

"Desejo-lhe muito sucesso na próxima eleição, e acho que um mês depois nós vamos ter o mesmo sucesso ", disse o Presidente turco.

Nicolás Maduro deverá ser reeleito este fim-de-semana
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Nicolás Maduro deverá ser reeleito este fim-de-semana Reuters/CARLOS GARCIA RAWLINS
Recep Tayyip Erdogan, Chipre, Chin
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Erdogan vai a votos a 24 de Junho Henry Nicholls/REUTERS

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recebeu esta quinta-feira uma demonstração de apoio do seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, nas vésperas de uma eleição boicotada pela coligação da oposição e criticada um pouco por todo o mundo.

Os Estados Unidos, a União Europeia e os principais países da América Latina criticaram a eleição de domingo, que deverá ditar a reeleição de Maduro para mais um mandato de seis anos.

Os críticos do Presidente venezuelano dizem que ele tem a vitória garantida porque dois dos seus opositores mais populares estão impedidos de ir a votos e porque a comissão nacional de eleições é pró-governo.

A Administração Trump ameaçou aplicar mais sanções e apelou à América Latina para que impeça o acesso de responsáveis venezuelanos aos seus sistemas financeiros e que lhes restrinja a entrada nos seus territórios.

Por tudo isto, qualquer apoio internacional é muito bem recebido, já que Maduro tenta legitimar a sua provável reeleição apesar da brutal crise económica que assola a Venezuela.

Numa conversa transmitida em directo pela estação estatal, esta quinta-feira, Maduro e Erdogan mantiveram uma conversa afectada por vários problemas técnicos.

"Desejo-lhe muito sucesso na próxima eleição, e acho que um mês depois nós vamos ter o mesmo sucesso na Turquia. Uma das minhas primeiras tarefas será uma visita de Estado à Venezuela", disse Erdogan, numa referência às eleições presidenciais e legislativas turcas antecipadas para o dia 24 de Junho.

"Tenho fé que você triunfe", disse Erdogan a Maduro, cujo principal rival é Henri Falcon, um antigo governador que não vai cumprir o boicote da oposição.

Os críticos dizem que tanto Maduro como Erdogan são líderes autoritários que têm calado os dissidentes e prejudicado a economia.

"Para o Governo venezuelano, estas eleições não são feitas para dar um ar de legitimidade perante o mundo ocidental, mas sim perante a Rússia, a China, a Turquia ou o Qatar", disse à Reuters Angel Alvarado, deputado da oposição e economista. "Maduro vai tentar apresentar-se não como um democrata mas como um líder com apoio popular, para ter um pouco de legitimidade e receber ajuda financeira."

A China e a Rússia emprestaram a Caracas milhares de milhões de dólares, e ambos os países têm grandes campos de petróleo na Venezuela, onde estão as maiores reservas de crude do mundo. A Turquia tem uma presença muito menor, mas Maduro tem dito que o país estará interessado em investir na nova criptomoeda venezuelana.