Pedro Proença: “Os dirigentes têm de perceber que no futebol não vale tudo”

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional diz que há uma linha que foi ultrapassada em Alcochete e pede reflexão profunda.

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) defendeu uma "reflexão profunda dos dirigentes, porque há uma linha que foi ultrapassada", no caso dos actos de violência desta terça-feira na Academia do Sporting, em Alcochete. "Não são estes os valores que temos preservardo e temos defendido nas competições profissionais", começou por assinalar Pedro Proença, em entrevista à RTP3. 

"Não podemos estar ao lado daqueles que de forma pouco sensata não percebe que tem atrás de si um conjunto de massa associativa que muitas vezes é seguidista daquilo que vai ser dito", sublinhou o presidente da LPFP. "Chegou o momento de reflexão profunda dos dirigentes. O momento em que se percebe que há uma linha que foi ultrapassada, porque o que se passou não foi um caso desportivo, é um caso de polícia, contra os verdadeiros artistas do futebol".

Pedro Proença afirmou ainda que devem ser retiradas ilações a quem "de forma absolutamente primária tem utilizado o futebol como um meio para atingir outros fins". O dirigente não quis esclarecer se incluía Bruno de Carvalho nesse grupo, dizendo apenas que se referia "a todos".

"Eu acho que os dirigentes têm de perceber que no futebol não vale tudo. Eu enquanto dirigente tenho de perceber que há uma entidade que está atrás de mim e tenho de responder por ela. As nossas discussões, as nossas reflexões têm de ser feitas dentro das próprias organizações. São esses fóruns em que os presidentes devem opinar e dar os pontos de vista", declarou, sem se referir ao presidente dos "leões". 

"Ao Jorge Jesus, uma pessoa que eu aprendi a reconhecer o seu trabalho, enquanto árbitro de futebol, quero deixar uma palavra de apreço e solidariedade, assim como a todos os jogadores, que têm sabido defender as cores 'leoninas'", frisou o líder da LPFP, apelando à reflexão conjunta, porque "no futebol não vale tudo".

Durante a tarde desta terça-feira, cerca de 50 indivíduos de cara tapada, alegadamente adeptos "leoninos", invadiram a Academia de Alcochete e, depois de terem percorrido os relvados, chegaram ao balneário da equipa principal, agredindo vários jogadores, entre os quais Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Misic, assim como o treinador Jorge Jesus e outros membros da equipa técnica.

Classificando este episódio como "uma página negra do futebol em Portugal", o responsável ressalvou que "o futebol não é isto", ambicionando que a final da Taça, no domingo, entre Sporting e Desportivo das Aves, seja um momento de festa, e que a Liga reflicta antes do encontro.

Pedro Proença considera ainda que "seremos sempre poucos para inverter aquilo que hoje aconteceu e já se antecipava que iria acontecer". "Hoje atingimos um ponto que deve merecer uma reflexão muito profunda daquilo que andamos a fazer." Na mesma entrevista, deixou "uma palavra de condenação veemente de todos estes actos primários", prestando "solidariedade com os técnicos, os jogadores e as suas famílias". "Não são estes os valores que temos preservado nas competições profissionais", afirmou.

O Governo repudiou os incidentes na Academia do Sporting, em Alcochete, que considerou atos de vandalismo e criminosos. Numa declaração conjunta da secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto, e do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, o executivo confirmou a detenção de 21 presumivelmente envolvidos.

A equipa principal do Sporting cumpria o primeiro treino da semana, depois da derrota no terreno do Marítimo (2-1), que relegou a equipa para o terceiro lugar da I Liga, iniciando a preparação para a final da Taça de Portugal, no domingo, frente ao Desportivo das Aves.