Torne-se perito

“Leões” investigam funcionário suspeito de corrupção no andebol

Um intermediário terá comprado equipas de arbitragem de modo a beneficiar o Sporting sob as ordens de André Geraldes.

Sporting na festa do título de andebol na época passada
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Sporting na festa do título de andebol na época passada Manuel de Almeida/Lusa

A notícia acabou por passar para segundo plano após os acontecimentos da tarde de terça-feira, o que é bem o reflexo do caos que, por estes dias, se vive no Sporting, mas ela foi confirmada ao PÚBLICO pela Procuradoria-Geral da República (PGR) — o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto e a Directoria do Norte da Polícia Judiciária estão a investigar “há mais de um mês” uma denúncia segundo a qual o Sporting teria, através de intermediários, um sistema de corrupção para, alegadamente beneficiar os “leões” e prejudicar o FC Porto, clube contra o qual os sportinguistas disputaram o campeonato de andebol até ao fim, acabando por vencer, conquistando um título de campeão que lhe fugia há 16 anos.

A notícia, avançada pelo Correio da Manhã (CM), citava Paulo Silva, um dos supostos intermediários e que assumiu ter comprado árbitros em partidas dos rivais, como o Benfica-FC Porto. Nesse jogo, Paulo Silva convenceu a equipa de arbitragem a beneficiar o Benfica, de modo a isolar o Sporting no primeiro lugar. Um dos árbitros da dupla do encontro entre o Benfica e o FC Porto terá recebido 2000 euros para favorecer o clube da Luz.

No rescaldo do jogo, os “dragões” chegaram mesmo a contestar os erros de arbitragem junto da Federação Nacional de Andebol, que indeferiu o protesto por considerar que não existiram fundamentos, confirmando a vitória do Benfica.

O Sporting terá pago para que o Benfica ganhasse ao FC Porto mas também para que perdesse, no jogo do título disputado a 31 de Maio, que os “leões” ganharam por 25-23. Nas mensagens divulgadas pelo CM, Silva diz ter oferecido 1500 euros aos árbitros: “Já tratei da situação. Disse-lhes que se ganharmos dou-lhes um brindezinho, falei-lhes no valor, claro, 1,5. E disse-lhes, pá, pronto ‘Queremos muito ser campeões. Se as coisas estiverem complicadas, eh pá, têm de dar aí uma mãozinha’. Ele garantiu-me que não nos vai prejudicar. E ficou assim a conversa”.

As conversas de Paulo Silva foram sempre com um intermediário, João Gonçalo Rodrigues, coordenador do gabinete de apoio ao atleta e às modalidades profissionais do clube e através do qual seria feita a ligação a André Geraldes, antigo director de modalidades e actual braço direito do presidente do clube.

Num primeiro momento, o Sporting reagiu em comunicado, qualificando a informação como “o primeiro capítulo de uma campanha” destinada a “denegrir a imagem” do clube. Ao mesmo tempo, o clube afirmou estar “obviamente disponível para colaborar em todas as diligências que se entendam necessárias”, depositando confiança “na justiça e no Estado de Direito”.

No entanto, mais tarde, o Sporting abriu um processo de inquérito ao funcionário. À agência Lusa, fonte oficial do clube disse que a “a administração chamou o funcionário Gonçalo Rodrigues e decidiu abrir um processo de inquérito para apurar qual o seu envolvimento” no caso. Na sequência disso, Gonçalo Rodrigues auto-suspendeu-se de funções enquanto durar o processo de inquérito”.

Quanto a André Geraldes, utilizou o Facebook para negar o seu envolvimento no caso. “Hoje [ontem] fui surpreendido por notícias caluniosas que envolvem o meu nome. Estou de consciência absolutamente tranquila”, começou por dizer o actual director de futebol do Sporting. “Nada tenho a esconder e estou inteiramente disponível para colaborar no apuramento de toda a verdade”, terminou.

Em comunicado, a Federação Portuguesa de Andebol (FPA) informou que a direcção participará o caso ao Conselho de Disciplina da Federação. com Mariana Oliveira

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