Prémio britânico para romance mais cómico do ano ficou sem vencedor

A organização diz que nenhum dos 62 livros em concurso tinham "a dose de piada" bastante para vencerem o Bollinger Everyman Wodehouse.

Mark Darcy
Foto
No ano passado coube à autora da saga Bridget Jones, Helen Fielding, o prémio de melhor ficção humorística com o livro "Bridget Jone's Baby" Reuters/REUTERS

Os tempos não estão para risos. Ou pelo menos assim parece pensar o júri do prémio Bollinger Everyman Wodehouse, o único galardão de língua inglesa atribuído a ficções humorísticas, que este ano recebeu 62 propostas mas nenhuma delas conseguiu arrancar a "unânime e abundante dose de gargalhada". Quanto muito, uns "tímidos e pífios sorrisos", como referem membros do júri ao diário britânico Guardian.

“Este ano, os meus caros colegas e eu, decidimos não entregar o prémio de forma a mantermos os elevados padrões da ficção humorística”, afirmou David Campbell, membro do júri e fundador da editora The Everyman's Library, citado pelo Guardian. O Bollinger Everyman Wodehouse nasceu em 2000 para homenagear P.G. Wodehouse, o "autor genial cujos livros nos fazem chorar de tanto rir", referiu, e já premiou nomes de referência da literatura de língua inglesa como Jonathan Coe, Helen Fielding, Ian McEwan e Terry Pratchett.  

Outros dois jurados, o comediante Sindhu Vee e o locutor da BBC James Naughtie, garantem ao Guardian que escrever ficção humorística não estará ao alcance de todos. "Havia livros muito bons, mas nenhum extraordinariamente engraçado... A alquimia não estava lá." E a prova é que para o júri nenhum dos 62 a concurso teve "a dose de piada" bastante para "figurar no palmarés".

Em não havendo um vencedor, não se cumprirá a tradição de entrega do prémio no Festival Literário de Hay, no País de Gales, um dos mais conceituados festivais literários europeus. Quer isto dizer que não haverá a habitual entrega de uma caixa de champanhe Bollinger reserva nem um porco de criação Gloucestershire, uma referência na literatura inglesa que remonta a 1790, sairá baptizado com o nome da prosa vencedora – no ano passado coube a Helen Fielding, a autora da saga Bridget Jones.

Mas para que o humor não esmoreça, David Campbell deixa uma promessa: "Para o ano, vamos ter de encontrar uma ficção que seja verdadeiramente hilariante."