À terceira edição, a ARCOlisboa já tem a sua feira-satélite

A JustLX, que também chega hoje a Lisboa, é um bom indicador do sucesso da implantação da ARCO, dizem galeristas e curadores. E em Outubro chegará mais uma nova feira à cidade.

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Restaurante Nuno Ferreira Santos,Nuno Ferreira Santos
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Trabalhos de João Louro (à esquerda) e de Antonio Ballester Moreno, na Galeria Christopher Grimes Nuno Ferreira Santos
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Julião Sarmento junto a uma obra sua na Galeria Giorgio Persano Nuno Ferreira Santos
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Galeria Angels Barcelona, com o trabalho da artista Esther Ferrer Nuno Ferreira Santos
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O espaço Opening Nuno Ferreira Santos
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Restaurante Nuno Ferreira Santos
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Galeria Revolver, trabalho do artista o trabalho de José Carlos Martinat Nuno Ferreira Santos

O artista Julião Sarmento acha “uma óptima ideia” o novo espaço Projectos, em que as galerias mostram só o trabalho de um artista, e o fotógrafo Paulo Nozolino reteve a “cor” do espaço Opening, dedicado às galerias mais jovens.

Naquelas que são as primeiras impressões da terceira edição da ARCOlisboa, que esta quarta-feira abriu para convidados e quinta, a partir das 14h, abre as suas portas ao público na Cordoaria Nacional, Julião Sarmento comenta ao PÚBLICO, ressalvando que acabara de chegar e não tinha estado na feira de arte contemporânea no ano passado: “Parece-me muito bem fazer estes projectos individuais. O espaço está desafogado e simpático.” 

Nestes 800 metros quadrados do Torreão Poente, no segundo andar do edifício, e onde no ano passado funcionava o restaurante da feira de arte contemporânea, dez galerias mostram apenas um artista no seu stand. A directora da Galeria Àngles Barcelona, que traz a Lisboa o trabalho da artista Esther Ferrer, com uma bela instalação de parede, diz que veio desta vez porque é assim que lhe interessa trabalhar as feiras. “Viemos este ano pela primeira vez porque havia um encontro com este projecto da Ester, uma peça que já andava para ser montada há muito tempo. Só estamos nas feiras com projectos individuais”, explica Gabriela Moragas. Mesmo ao lado, é possível ver as esculturas de Stephan Balkenhol  e as fotografias de Mónica de Miranda. Destaque também para o trabalho de José Carlos Martinat na galeria argentina Revolver. 

A ideia deste espaço como a do Opening, onde estão 12 galerias jovens é trazer mais conteúdos à ARCOlisboa sem acrescentar galerias ao programa geral, composto pelas 50 galerias, portuguesas e estrangeiras, que até domingo se juntam na nave central. Mas mesmo aí, como pudemos constatar com a galeria brasileira Millan, que também se faz representar pela primeira vez, há stands integralmente dedicados a um único artista, como este que mostra várias obras de Emmanuel Nassar. 

Antes de chegarmos ao espaço Opening, encontramos a outra grande novidade da feira, o restaurante desenhado pelos jovens arquitectos João Quintela e Tim Simon um pavilhão efémero que se vai tornar o grande ponto de encontro da feira e consegue refazer o pátio num gesto ousado, onde o director da ARCOlisboa, Carlos Urroz, está já sentado a dar entrevistas antes da inauguração. 

Quem também se diz já satisfeito, mesmo antes de a feira abrir, é o galerista Francisco Fino, que repete a presença no espaço Opening depois de no ano passado ter inaugurado a sua nova galeria dias antes da segunda edição da feira de Lisboa. “As minhas expectativas este ano são muito altas. No ano passado tinha acabado de abrir e correu bem, mas este ano a minha presença na feira já está paga. Já vendi uma peça mesmo antes de abrir”, conta ao PÚBLICO. Fala de uma das janelas de Adrien Missika, Botanical Frottage (2017). 

O tema de que todos falam

Mas o tema de que este ano todos falam é a nova feira-satélite que se instalou em Lisboa, a JustLX, que esta quinta-feira, às 18h, abre as suas portas ao público, e que também decorre até domingo.

Francisco Fino acha que a sua chegada à cidade é benéfica para a própria ARCOlisboa: “São públicos diferentes, embora haja alguns cruzamentos. Quando se faz uma feira boutique como a ARCOlisboa, que não se pode dar ao luxo de incluir todas as galerias, é bom que surja uma solução como esta. A nova feira pode albergar outras galerias e isso é bastante saudável.” 

João Laia, o curador da secção dedicada às galerias jovens, diz mesmo que o facto de a JustLX abrir em Lisboa é um bom indicador do sucesso da ARCOlisboa: “Acho óptimo, óptimo, porque qualquer feira grande tem uma feira-satélite. Quando aparece uma feira como esta ao lado, é sinal de que a outra se estabeleceu.”

Em Outubro, aliás, chegará a Lisboa nova feira, também vinda de Madrid: a Drawing Room, dedicada ao desenho, que terá lugar na Sociedade Nacional de Belas-Artes. “São obviamente tudo sinais da dinâmica da ARCO”, acrescenta João Laia.

Afirmando-se como uma feira de arte emergente, a JustLX será de resto vizinha da ARCOlisboa no Museu da Carris, ocupando a Estação de Santo Amaro, muito perto da Cordoaria. Tal como a sua congénere de Madrid, é organizada pela empresa espanhola ArtFairs, que tem uma experiência de dez anos de feiras na capital espanhola e de um ano em Miami. “Surgiu a possibilidade de fazer a feira em Lisboa, atendendo ao ânimo que se sente na cidade. Há muitos agentes a trabalhar em arte. Temos 42 galerias a trabalhar, o que corresponde a um número muito grande de artistas a produzir”, explica Lourenço Egreja, que é um dos três curadores responsáveis pela JustLX.

Ao termo feira-satélite, Lourenço Egreja, que é director artístico do Carpe Diem, um espaço alternativo de arte e pesquisa, prefere “feira alternativa”. A lógica, diz, é coincidir sempre com a semana da ARCO, quer em Madrid, quer em Lisboa. As galerias que estarão representadas nesta primeira JustLX, 15 das quais são portuguesas com nomes como a 111, a Perve ou a São Mamede , são escolhidas por convite. Pelo menos “neste ano zero”, continua o curador, que assumiu a selecção juntamente com os outros dois curadores da JustLX, os espanhóis Semíramis González e Daniel Silvo. 

“A minha expectativa é óptima. Fizemos uma feira inclusiva para dar oportunidade às galerias que têm trabalho feito de mostrarem os seus artistas, numa altura em que a cidade está a viver um momento interessante, esta semana em que há inaugurações em todo o lado.” A relação com a ARCO, garante Egreja, é de “superconvivência”: “Somos públicos, se calhar diferentes, porque as obras aqui são mais acessíveis. E, claro, não temos a tradição da ARCO, que tem 35 anos de trabalho.”

Na conferência de imprensa de apresentação da ARCOlisboa, que teve lugar na semana passada, a galerista lisboeta Cristina Guerra, que faz parte do comité de selecção, afirmou também que as feiras-satélites “são uma coisa perfeitamente natural”: “Vai ajudar a ARCO. É um incentivo para nós.”

Novo prémio

Esta quarta-feira, ainda antes da inauguração que contava com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já estavam a chegar à ARCOlisboa curadores, artistas e directores de museu, como Penelope Curtis, a responsável pelo Museu Calouste Gulbenkian, que visitava, por exemplo, o espaço da galeria londrina Greengrassi, mais uma estreia na feira, ao lado de outras novidades como a veterana espanhola Helga de Alvear ou da vienense Krinzinger.

Estava previsto que o Presidente passasse pelos stands das galerias Monitor (Roma e Lisboa), Cristina Guerra, Filomena Soares (Lisboa), Helga de Alvear, Juana de Aizpuru (Madrid) e Krinzinger, além das secções especiais.

Pela primeira vez, diz João Laia, a ARCOLisboa vai atribuir um prémio às galerias jovens. Os doze stands da secção Opening, onde se estreiam, por exemplo, as lisboetas Balcony e Uma Lulik ou a londrina Copperfield, serão apreciados por um júri internacional, que entregarão um prémio ao melhor stand, de três mil euros, que dá para pagar o aluguer do espaço. O júri é composto por Fanny Gonella (directora da FRAC Lorraine, França), Helena Kritis (curadora do Beursschouwburg, Bruxelas), Rosa de Graaf (curadora do Witte de With, de Roterdão) e Nicolaus Schafhausen (director do Kunsthalle de Viena).

com Joana Sequeira