Jesus está pronto para tudo, até para um ano sabático no Sporting

À espera de um processo disciplinar, o treinador com contrato por mais uma época não tenciona procurar outro clube. Mesmo sabendo que Bruno de Carvalho o quer despedir por justa causa.

Jorge Jesus
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Jorge Jesus LUSA/GREGORIO CUNHA

Jorge Jesus está decidido a cumprir integralmente o seu contrato com o Sporting, que cessa no final da próxima temporada. Mesmo que isso implique que tenha de passar um ano sabático, caso a SAD (Sociedade Anónima Desportiva) opte pela sua substituição.

Na eventualidade de não serem encontrados motivos para um despedimento por justa causa da actual equipa técnica, os responsáveis “leoninos” terão de despender perto de 12 milhões de euros brutos em salários. Enquanto decide o que fazer, a administração liderada por Bruno de Carvalho confirmou esta terça-feira que Jesus estará no banco a orientar a equipa na final da Taça de Portugal no próximo domingo. Pelo menos, era este o cenário antes dos acontecimentos desta terça-feira, em Alcochete.

Jorge Jesus e os seus adjuntos (Miguel Quaresma, Raúl José e Mário Monteiro) saíram da reunião de segunda-feira com Bruno de Carvalho com a sensação de terem sido despedidos. Segundo o PÚBLICO apurou junto de uma fonte próxima do treinador, o presidente dos “leões” (que estava acompanhado pelos administradores da SAD Carlos Vieira e Guilherme Pinheiro) comunicou-lhe que a relação laboral com o clube teria chegado ao fim e que tudo iria terminar ali, deixando no ar a hipótese de o técnico ser suspenso imediatamente.

Tal não se viria a confirmar, com o próprio Bruno de Carvalho a garantir horas depois que não havia ninguém suspenso. Já esta terça-feira, ao início da tarde, a SAD confirmou, através da rede social Twitter, que os actuais treinadores vão orientar a equipa e estão no banco do Estádio Nacional, na final da Taça.

Uma trégua até ao último jogo da temporada, que adiaria para a próxima semana novos desenvolvimentos neste braço-de-ferro entre presidente e treinador. Entretanto, Jesus irá continuar a aguardar pela nota de culpa e pelo processo disciplinar que lhe deveria ser instaurado pela SAD, com vista ao seu despedimento por justa causa.

Ainda antes de ter conhecimento da comunicação da SAD, o técnico, de 63 anos, apresentou-se esta terça-feira com os seus adjuntos na Academia de Alcochete, onde chegou à hora de almoço sem ser barrado à entrada. Seguiu-se o enorme susto a meio da tarde, quando as instalações foram invadidas por algumas dezenas de adeptos e jogadores e equipa técnica agredidos.

Em termos formais, o Sporting não pode anunciar que o treinador está despedido, já que seria uma inversão dos termos do próprio processo disciplinar. Teoricamente, só após a conclusão deste processo, depois de recolhidas as provas e ouvidas as testemunhas, é que o relator poderá decidir se há matéria para uma demissão unilateral ou se o assunto merece apenas uma repreensão, multa ou até que não justifica qualquer procedimento disciplinar.

Qualquer nota de culpa terá de ser entregue ao técnico num prazo de 30 a 60 dias. Já uma suspensão poderá ter efeitos imediatos, após o acusado ser notificado de que lhe foi instaurado um processo disciplinar. O que poderá vir a acontecer na próxima semana, se a SAD mantiver aquilo que transmitiu verbalmente a Jorge Jesus.

Depois da partida da Taça de Portugal a equipa técnica continuará a trabalhar para a preparação da próxima temporada até ao final deste mês. Certo é que o treinador está decidido a não abandonar o Sporting até ao final do seu contrato.

Ao contrário de Marco Silva, seu antecessor no banco “leonino”, que também foi alvo de um processo disciplinar de Bruno de Carvalho para um despedimento por justa causa, acabando por chegar a acordo para rescindir e ir treinar o Olympiacos da Grécia, Jorge Jesus não está interessado em sair para nenhum outro clube. O treinador, que tem um salário de 7,9 milhões de euros brutos por temporada, está inclusivamente na disposição de cumprir um ano sabático para apostar na sua formação.

E caso não haja acordo entre as partes para uma rescisão amigável, os “leões” teriam de continuar a pagar os salários a Jorge Jesus e aos seus adjuntos (ao ritmo de cerca de um milhão de euros mensais) ou avançar mesmo para um despedimento unilateral. Nesse caso, o treinador recorria para os tribunais. Estes, no caso de lhe ser dada razão, poderão impugnar um despedimento por justa causa e estabelecer uma indemnização.

Seja como for, o processo está longe de ficar encerrado nos próximos dias ou semanas, independentemente dos próximos desenvolvimentos.