Gap pede desculpa por T-shirt com “mapa incorrecto” da China

Desde o início de 2018 que várias marcas multinacionais vieram a público pedir desculpa por não reconhecerem regiões reivindicadas pela China.

A marca de vestuário norte-americana pediu desculpas publicamente à China por desenho de mapa em t-shirts
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A marca de vestuário norte-americana emitiu um pedido de desculpas público à China Lucas Jackson/REUTERS

O Tibete faz parte da China? E Taiwan? Para o Grande Império do Meio, não existem quaisquer dúvidas. O Tibete do Sul, Taiwan e as ilhas do mar da China Meridional são regiões reivindicadas pela China como parte integrante do seu território e a norte-americana Gap lá se enganou, aos olhos dos chineses, ao estampar um “mapa incorrecto” num modelo de T-shirt. Esta segunda-feira, a marca emitiu um comunicado a pedir desculpas e retirou as camisolas do mercado.

As fotografias das T-shirts, tiradas numa loja Gap no Canadá, foram publicadas na rede social Weibo, uma espécie de Facebook maioritariamente usada pelos chineses, e, segundo a BBC, gerou centenas de reclamações. A marca pediu desculpas publicamente e anunciou que vai implementar “revisões rigorosas” para evitar que o erro se repita.

“A Gap Inc. respeita a soberania e a integridade territorial da China. Soubemos que uma T-shirt da marca Gap vendida em alguns mercados estrangeiros não reflectia o mapa correcto da China. Pedimos sinceras desculpas por este erro não intencional”, declarou a empresa em comunicado divulgado na Weibo e citada pelo jornal britânico The Guardian. A empresa acrescentou ainda que os produtos já foram retirados do mercado chinês e destruídos.

Uma publicação no Twitter do Diário do Povo (People’s Daily, em inglês), o jornal do Partido Comunista da China, mostra a T-shirt com o desenho de um pequeno mapa vermelho que não inclui as respectivas regiões reivindicadas. 

Vários pedidos de desculpas e um “absurdo orwelliano”

Os reguladores chineses têm vindo a intensificar a onda de repressão a várias multinacionais pela forma como descrevem os territórios reclamados pelo Governo chinês. Segundo a Reuters, empresas como a companhia aérea norte-americana Delta Air Lines, a cadeia de hotéis Marriott International e a marca de vestuário espanhola Zara também já emitiram, desde o início deste ano, pedidos de desculpas públicos à China por considerarem o Tibete e Taiwan independentes.

A BBC lembra que, no início deste mês, a Casa Branca criticou Pequim por tentar impor a sua “correcção política às empresas americanas e seus cidadãos”, classificando como um “absurdo orwelliano” a exigência imposta às empresas de  respeitarem as reivindicações territoriais da China relativamente a Taiwan, Hong Kong e Macau.

Disputas territoriais

Apesar de Taiwan se assumir como República da China, Pequim considera-a uma província chinesa com pretensões separatistas. Porém, desde 1949 que a ilha tem sido administrada de forma democrática por um Governo autónomo, mantendo relações diplomáticas com vários países, segundo o jornal The Guardian.

Já o Tibete foi invadido pelas tropas chinesas em 1950, na tentativa de colocar a região sob o controlo de Pequim. A República Popular da China utiliza o nome de Tibete do Sul para se referir à região situada maioritariamente no estado indiano de Arunachal Pradesh e que está no centro de uma disputa territorial entre a Índia e o Governo chinês. Quanto às ilhas do mar da China Meridional, são disputadas por vários países asiáticos como Taiwan, Vietname, Filipinas e Malásia.