Crónica de jogo

Sem pernas e sem cabeça para a Champions

Sporting vai ter de se contentar com a Liga Europa depois da derrota no Funchal. Foi uma exibição muito cinzenta , à qual nem Rui Patrício escapou.

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LUSA/GREGORIO CUNHA

É sempre bom depender de si próprio para alguma coisa. Ter o destino nas mãos, não depender de ninguém, fazer o seu trabalho e nem olhar para trás. Era nesta situação que estava o Sporting em relação ao segundo lugar e à possibilidade de chegar à Liga dos Campeões, uma fonte de milhões de euros que seriam bem-vindos. Mas os “leões” acabaram por deixar fugir esse potencial destino milionário para o Benfica, com um desaire na Madeira (2-1), frente ao Marítimo, e vão ter de se contentar com os tostões da Liga Europa. No último dia do campeonato, a equipa de Jorge Jesus nunca pareceu confortável ao ponto de ter feito no Funchal aquela que terá sido uma das exibições mais cinzentas da época e nem Rui Patrício escapou ao desastre.

Depois de um confronto sem golos há uma semana, Sporting e Benfica lutavam à distância pelo segundo lugar, mas os “leões” tinham o destino nas mãos. Mais, iriam jogar com aquele que tem sido o seu “onze” de gala e só precisavam de ter pernas e cabeça para ultrapassar um último e difícil obstáculo, um adversário muito capaz a jogar no seu estádio, rotinado para aguentar equipas de cariz atacante como se esperava que o Sporting fosse. E o Marítimo foi exactamente isso, uma equipa segura que acabou por merecer a sorte que teve no tempo de compensação. Mas não foi só sorte.

O Sporting até pareceu entrar com dinâmica, como que a tentar resolver cedo as coisas, mas sem se aproximar muito da área maritimista. Aos 11’, um toque de Bas Dost coloca a bola em condições difíceis para Bruno Fernandes, mas o médio ainda consegue um remate acrobático que passa perto do poste. A reacção do Marítimo é imediata. Correa ganha na raça a meia defesa do Sporting, coloca a bola na grande área para Gamboa, mas Battaglia desvia.

No meio de um jogo mais de luta do que outra coisa, dois minutos trouxeram alguma animação. Aos 31’, num canto de Edgar Costa, o camaronês Joel fez jus à alcunha de “O Cruel” e fixou o 1-0 de cabeça, antecipando-se à marcação de Fábio Coentrão. 

O Marítimo praticamente nem teve tempo de saborear a vantagem. Na jogada imediatamente a seguir, bola em Gelson Martins, passe rasteiro para Bas Dost e o holandês, num remate colocado, não deu hipóteses ao guarda-redes Amir.

O golo do empate foi, provavelmente, o único momento em todo o jogo em que o Sporting quis agarrar o destino milionário. Nos 60 e pouco minutos de jogo que se seguiram, não voltou a mostrar argumentos para lutar pela vitória. Um ou outro remate com fraca direcção não podem ser considerados um esforço consistente para bater um Marítimo que nunca pareceu desconfortável e que até andou a rondar com algum perigo a baliza de Rui Patrício.

A partir do banco, Jesus foi lançando gente para o ataque, primeiro Bryan Ruiz, depois Montero e, finalmente, Doumbia para os últimos minutos. Ainda assim, um empate, manteria sempre aquela hipótese de alguém resolver no último segundo num lance de bola parada, num momento de inspiração misturada com desespero, mas nem isso aconteceu. Já em tempo de compensação, o arménio Ghazaryan arrancou um remate com pouca força e zero possibilidades de criar algum problema a Patrício. Mas o guardião “leonino” deixou escapar a bola e lá foi ela, vagarosa, para o fundo da baliza. 

O guardião do Sporting, que se tinha estreado como um herói naquele estádio há mais de uma década, ainda ficou dois ou três segundos com a cara enterrada na relva, antes de se levantar e confirmar que o Sporting iria mesmo ficar sem o segundo lugar e sem os tais milhões porque o Benfica tinha feito o seu trabalho na Luz frente ao Moreirense. A época ainda pode acabar com uma alegria na taça, mas, depois desta viagem desastrosa à Madeira, já não terá o mesmo sabor.

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