Karl Lagerfeld está tão furioso com Merkel que admite renunciar à cidadania alemã

O famoso criador de moda diz que a política da chanceler alemã em relação a migrantes e refugiados deu força à extrema-direita.

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Lagerfeld Reuters/POOL

O famoso criador de moda Karl Lagerfeld, de 84 anos, voltou a descarregar a sua fúria sobre a chanceler alemã, Angela Merkel. Numa entrevista à revista francesa Le Point, o director criativo da casa Chanel diz que admite renunciar à cidadania alemã se Merkel continuar a defender a entrada de migrantes e refugiados no país.

“Será que ela tinha mesmo de dizer que era preciso receber um milhão de migrantes numa altura em que a França, que se apresenta como a terra dos direitos humanos, se comprometeu a receber 30 mil?”, questionou o criador de moda, referindo-se aos acontecimentos do Verão de 2015, quando a atenção da Europa se virou para a chegada ao continente de milhões de pessoas de África e do Médio Oriente, principalmente sírios que tentavam escapar à guerra no seu país.

Nessa altura, e em grande parte devido à iniciativa da própria chanceler, o Governo alemão levantou várias barreiras burocráticas à entrada de migrantes e refugiados. Nos meses seguintes entraria no país cerca de um milhão de pessoas.

Apesar de a CDU de Angela Merkel ter sido o partido mais votado nas eleições de Setembro, o resultado foi mais baixo do que no passado. Os analistas dizem que Merkel foi punida nas urnas por causa da sua maior tolerância em relação aos migrantes e refugiados, e que uma prova disso é a subida no apoio à extrema-direita do Alternativa para a Alemanha (AfD) – este partido conquistou 94 lugares no Bundestag e afirmou-se como a terceira maior força política alemã.

Na entrevista à revista Le Point, Lagerfeld diz que Angela Merkel é a responsável por essa subida de influência da extrema-direita. “A Afd não existia, mas passou a existir com uma única frase dela, que afastou dois milhões de eleitores e mandou uma centena desses neonazis para o parlamento”, disse o criador de moda. “Se isto continuar, renunciarei à cidadania alemã”, afirmou, sem avançar uma alternativa: “Gosto pessoalmente de Macron, e da sua mulher, Brigitte, mas isso não significa que queira tornar-me francês.”

As críticas de Lagerfeld a Merkel são antigas. Em Novembro do ano passado, o director artístico da casa Chanel usou o Holocausto para lançar acusações contra a política da chanceler alemã em relação aos migrantes e refugiados.

“Mesmo que haja décadas a separar os dois acontecimentos, não se pode matar milhões de judeus e depois deixar entrar milhões dos seus piores inimigos”, disse Lagerfeld numa entrevista a um canal francês, onde também criticou a política de Angel Merkel sobre a entrada de migrantes e refugiados: “Merkel já tinha milhões e milhões de imigrantes que estão bem integrados e que trabalham. Não tinha necessidade de deixar entrar mais um milhão para melhorar a sua imagem de madrasta má depois da crise na Grécia.”

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