Está aí a segunda meia-final da Eurovisão

As últimas dez canções a entrar na final do concurso e a competir contra Portugal são decididas esta quinta-feira à noite, na segunda meia-final da primeira edição do festival a realizar-se em Portugal.

Concerto de rock, Teatro musical, Cantor e compositor
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O viking dinamarquês Rasmussen REUTERS/Pedro Nunes
Rasmussen, Troels Kløvedal, Dario Campeotto, Mattias Hundebøll, Festival Eurovisão da Canção
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O viking dinamarquês Rasmussen REUTERS/Rafael Marchante
Concerto de rock
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Concerto, Festival Eurovisão da Canção 2018, Música
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O viking dinamarquês Rasmussen REUTERS/Rafael Marchante
Festival Eurovisão da Canção 2018
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Rasmussen, Festival Eurovisão da Canção 2018
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O viking dinamarquês Rasmussen REUTERS/Pedro Nunes

Na Eurovisão, dentro da Altice Arena, a generalidade dos jornalistas só tem acesso aos ensaios. Os três espectáculos que existem para cada uma das etapas são vistos através de ecrãs grandes na área de imprensa, mesmo ao lado do recinto. Esta quarta-feira, depois da hora de almoço, realizou-se o primeiro ensaio geral da segunda meia-final do concurso, um espectáculo em tudo semelhante ao que acontecerá esta quinta-feira à noite e será transmitido através da televisão e do YouTube a partir das 20h. Ou seja, o ensaio já tem os artistas todos, as apresentadoras e as impressionantes e por vezes complexas mudanças de palco. Só que, claro, com menos público e ainda muitos pormenores por ultimar.

Da primeira meia-final de terça-feira para esta, mantém-se o tema marítimo, com marinheiros, referências à água e à navegação nos textos ditos por Catarina Furtado, Daniela Ruah, Sílvia Alberto e Filomena Cautela, as apresentadoras. Há também trocadilhos e uma referência a Alô, Alô que fez as delícias de um correspondente australiano que estava a ver o ensaio.

Nos vídeo-postais que apresentam os concorrentes e que são filmados em vários locais de Portugal, que agora têm também uma secção de gaffes durante as gravações (bloopers), mantém-se o recurso frequente a Lisboa e a tendência para os concorrentes aprenderem algum tipo ofício, desde graffiti a fazer queijo ou pastéis de nata, passando pela construção de guitarras portuguesas e pranchas de surf.

As actuações propriamente ditas serão 18, dez das quais passarão para a final de sábado – desta vez votam os países que actuam e ainda a França, a Alemanha e a Itália. Arrancam com a guitarra disco-funk do tema do norueguês Alexander Rybak. Seguem-se os romenos The Humans, com máscaras brancas e manequins, e os sérvios Balkanica, que dão um toque eurovisivo e electrónico à música bizantina e medieval sérvia.

San Marino faz-se representar pela maltesa Jessika (Muscat), o rap da alemã Jenifer Brening e robôs. O viking dinamarquês Rasmussen vem com a sua barba – que Filomena Cautela pediu, neste ensaio, permissão para afagar –, cabelo comprido e velas de barcos. Julia Samoylova, que se movimenta de cadeira de rodas, surge no meio do palco em cima de uma montanha, enquanto dançarinos correm e dançam à sua volta.

Em palco, os dois cantores e a cantora dos moldavos DoReDos, surgem vestidos de azul, vermelho e amarelo, a abrirem e a fecharem portas ao som de sopros dos balcãs. O chapéu, a música, na linhagem do rock sulista e do outlaw country norte-americano, e o facto de ter roubado o nome a Waylon Jennings não enganam: Waylon é um cowboy holandês. A pop electrónica da estrela australiana Jessica Mauboy começa no escuro e vai-se enchendo de luzes. Pela Geórgia, actuam os Iriao, ou Ethno-Jazz Band Iriao, que misturam canto gregoriano e jazz.

A cerimónia prossegue com a Polónia e a EDM do DJ e produtor Gromee e do guitarrista e cantor Lukas Meijer, ambos vestidos de preto. O Taboo da maltesa Christabelle (Borg) é a saúde mental, e a canção pretende começar uma conversa sobre o assunto. Já os AWS são algo que não se vê todos os dias: uma banda de pós-hardcore/metalcore, com portentosos gritos, a fazer playback – não aconteceu no ensaio, mas na semifinal vão fazer stagediving, ou seja, saltar do palco para os braços do público.

Laura Rizzotto, com dupla nacionalidade letã e brasileira, cantará, vestida de vermelho, Funny Girl, que tem o seu quê de Portishead. O disco-funk de Dance You Off, de Benjamin Ingrosso vai representar a Suécia – o actor cómico Will Ferrell, que está em Lisboa e tem uma esposa sueca, assistiu aos ensaios dele. Montenegro vem pela mão de Vanja Radovanovic, cuja Inje, escrita pelo próprio, é feita de drama. Da Eslovénia chega Lea Sirk e a sua Hvala, ne! (“obrigado, não!”). Por fim, o jovem MÉLOVIN, que tem uma lente de contacto branca e azul no olho esquerdo, interpreta os “whoa whoa” e “yeah” de Under the Ladder pela Ucrânia, a vencedora de 2016.

Voltam também os segmentos humorísticos – que não passaram na emissão da RTP, mas podem ser vistos na emissão internacional e no YouTube – da primeira semifinal. A Esclopedia de Pedro Penim, uma enciclopédia do festival, continua, olhando para as tendências do festival ao longo dos anos. Mais sério, mas também por Penim, há uma contextualização histórica e política das canções da Eurovisão, culminando na revolução de 1974.

Haverá ainda o segundo Planet Portugal, com Herman José a fazer a sua imitação do Planet Earth de Sir David Attenborough e a apontar para os portugueses que, na primeira meia-final, fez com que alguns espectadores britânicos nas redes sociais se sentissem melindrados, entre outras razões, por considerarem a imitação pouco precisa ou acharem de mau tom ser exibida no 92.º aniversário do naturalista e comunicador britânico.