Nova série da revista Manifesto é lançada esta quarta-feira com entrevista de Noam Chomsky

Dirigida nos anos 2000 por Miguel Portas, tem agora como director Frederico Pinheiro.

Chomsky fotografado em Lisboa em 2015
Foto
Chomsky fotografado em Lisboa em 2015 PEDRO ELIAS

O primeiro número da nova série da Manifesto, uma "revista de debate na esquerda portuguesa", tem uma capa sobre O Povo, uma entrevista a Noam Chomsky e é esta quarta-feira apresentada em Lisboa.

Na entrevista, o intelectual norte-americano e activista político de esquerda afirma-se preocupado com o crescimento da extrema-direita e do neofascismo no mundo, fenómeno que explica pela cada vez maior concentração de riqueza e de poder.

"O povo está zangado, receoso, sem esperança, à procura de uma espécie de salvação e, por vezes, adere a apelos irracionais. Entretanto, a economia desenvolve-se de forma lenta, mas poderosa em benefício dos extremamente ricos", afirma o professor emérito do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

A revista inclui ainda uma entrevista com Chantal Mouffe, filósofa política pós-marxista, nascida na Bélgica, coautora, com o seu companheiro Ernest Laclau, já falecido, a obra Hegemonia e Estratégia Socialista.

A Manifesto, dirigida nos anos 2000 pelo dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Miguel Portas (1968-2012), é hoje um projecto da Associação Fórum Manifesto - Centro de Estudos Sociais e Políticos, que sucedeu, em 2004, à organização Política XXI.

Neste primeiro número da segunda série, com 150 páginas, a revista publica artigos de, entre outros, Isabel do Carmo (médica e fundadora das Brigadas Revolucionárias), Ana Drago (socióloga e ex-BE), Ana Margarida de Carvalho (escritora e deputada municipal da CDU em Lisboa) e ainda Sampaio da Nóvoa (professor universitário e ex-candidato presidencial).

"Continuamos interessados nos debates plurais à esquerda, nas discussões sobre o seu futuro e o seu papel no contexto português, e nos possíveis processos de convergência entre as diferentes sensibilidades que a constituem, incluindo pessoas e movimentos que não integram nenhuma formação partidária", lê-se no editorial do actual director, Frederico Pinheiro.

A apresentação, esta quarta-feira ao fim do dia, na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, será feita pela deputada do PS Isabel Moreira e pelo historiador José Neves, estando também previstas intervenções de Ana Drago e de Frederico Pinheiro.