Quando os linfócitos complicam (em vez de ajudarem) no combate do cancro

A segunda edição do Prémio Janssen Inovação distinguiu projectos de imunologia, neurociências e infecciologia.

Garrafa de plástico, plástico
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Paulo Pimenta

Combater o cancro, a obesidade e a tuberculose são as ambições dos três projectos de investigação científica distinguidos na edição deste ano do Prémio Janssen Inovação, criado pela Janssen Portugal da empresa farmacêutica do grupo Johnson & Johnson. A cerimónia de entrega da segunda edição deste prémio ocorre na tarde desta quarta-feira da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.

Criado em 2016, o Prémio Janssen Inovação tem como grande objectivo apoiar a investigação científica em Portugal nas áreas da imunologia, da infecciologia, das neurociências, oncologia e da hipertensão pulmonar. Na primeira edição foram distinguidos projectos relacionados com a doença de Alzheimer, a doença de Machado-Joseph e a tuberculose, assim como entregues quatro menções honrosas.

Nesta segunda edição, a comissão de avaliação do prémio, presidida pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio, avaliou 90 trabalhos. O que ficou em primeiro lugar vai receber 30 mil euros, enquanto o segundo classificado terá 20 mil e o terceiro dez mil. Também foram distinguidos quatro projectos com uma menção honrosa (sobre hipertensão pulmonar, imunologia, infecciologia e neurociências). “O Prémio Janssen Inovação é o resultado da vontade de incentivar e distinguir o que de melhor se faz em investigação no nosso país em diferentes áreas da saúde”, afirma Filipa Mota e Costa, directora-geral da Janssen Portugal, em comunicado.

Linfócitos que dificultam a defesa

O primeiro lugar foi para um trabalho sobre imunologia do Instituto de Medicina Molecular – João Lobo Antunes, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Liderada por Bruno Silva Santos, a equipa de cientistas percebeu que, além dos linfócitos T que ajudam a combater o cancro, há linfócitos que complicam a defesa. Descobriram ainda que esses linfócitos podem ser neutralizados. “Esta descoberta é mais um contributo para as investigações que utilizam os glóbulos brancos de doentes com cancro e tentam dar-lhes maior capacidade de se defenderem da doença através de um método especial de manipulação, tentando assim combater o cancro com o próprio sistema imunitário dos doentes, a chamada imunoterapia”, explica-se no comunicado.

Novo alvo contra a obesidade

Em segundo lugar ficou uma equipa que reúne três instituições: o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, o Centro de Investigação Biomédica da Universidade do Algarve e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Liderada por Sara Carmo Silva, esta equipa desenvolve um trabalho na área das neurociências que estuda um potencial novo alvo terapêutico para a obesidade e doenças metabólicas. “Com este trabalho, descreve-se pela primeira vez a ataxina-2 como um mediador metabólico e um potencial novo alvo terapêutico para a obesidade e doenças metabólicas.”

Eliminar o bacilo da tuberculose

Por fim, o terceiro prémio foi para uma investigação sobre infecciologia do Instituto de Investigação do Medicamento da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, liderado por Elsa Anes. O objectivo deste trabalho é tentar descobrir novos mecanismos que poderão ajudar a eliminar o bacilo da tuberculose, assim como melhorar a resposta à vacinação. Por isso, no comunicado salienta-se: “O alvo directo da terapia é o hospedeiro e não a bactéria, logo não apresenta o risco inerente de gerar resistências.”