Opinião

Parabéns ao campeão!

O Futebol Clube do Porto sagrou-se campeão nacional no jogo que não jogou. O empate a zero entre Sporting e Benfica, no passado sábado, confirmou a entrega do título. Este jogo poderá também ter sido decisivo na definição do segundo lugar que dá acesso aos milhões da Champions League.

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Carlos Xistra foi o árbitro nomeado para dirigir este importante jogo. O internacional da Covilhã é dos árbitros que mais garantias tem dado ao Conselho de Arbitragem e, depois de Artur Soares Dias e Jorge Sousa nos dois recentes clássicos (FC Porto-Benfica para a Liga e Sporting-FC Porto para a Taça), esta era, à partida, a nomeação certa.

Independentemente da qualidade e experiência do árbitro, do acerto da nomeação e até do ambiente mais ou menos calmo que se viveu na semana pré-jogo, as coisas não correram bem. Carlos Xistra esteve infeliz num jogo que, como todos os outros mas neste em particular, precisava de uma arbitragem exemplar ou, pelo menos, sem erros graves.

Aqui fica uma análise aos principais lances da partida:

Aos 7 minutos de jogo, Rafa surgiu isolado perante Rui Patrício. Depois de adiantar ligeiramente a bola, conseguiu, no limite, desviar a bola do guarda-redes do Sporting. A velocidade que levava não lhe permitiu travar o movimento, acabando por chocar com a perna contra o joelho de Rui Patrício. Lance fortuito que, apesar de ter lesionado momentaneamente o jogador do Benfica, não teve qualquer ilegalidade do jogador do Sporting. Decidiu bem Carlos Xistra ao deixar seguir a jogada.

O primeiro erro importante do árbitro aconteceu ao minuto 15, em cruzamento para a área do Benfica. Rúben Dias, na disputa para tentar chegar à bola, usou a mão para puxar Mathieu pela zona do pescoço e ombro, provocando desta forma o desequilíbrio e queda do adversário. Lance confuso, que escapou ao árbitro e no qual o videoárbitro, Hugo Miguel, terá entendido não haver falta ou não ser suficientemente clara para chamar Carlos Xistra. Ficou, na minha opinião, penálti por sancionar neste lance.

Aos 56 minutos, Rúben Dias voltou a ser imprudente na abordagem a um lance no interior da sua área e, desta feita, carregou Bas Dost ao colocar as mãos no ombro esquerdo do atacante do Sporting, impedindo-o de saltar para tentar cabecear a bola. Carlos Xistra estava perto e mandou seguir. Erradamente. O VAR não interveio. Podia tê-lo feito.

Douglas e Acuña, aos 66 minutos, envolveram-se num confronto com provocações mútuas, chegando mesmo a encostar cabeças. Esta situação merece, por norma, advertência para ambos os jogadores. Considerando o ambiente do jogo e a gestão efectuada até então, aceita-se a decisão de Carlos Xistra de apenas avisar verbalmente os jogadores.

Ao minuto 84, Rúben Dias teve um comportamento violento que escapou à equipa de arbitragem. Com a “desculpa” de estar a disputar a bola, acertou com o cotovelo na face de Gelson Martins. Talvez porque a bola estava a ser jogada no chão, esta situação não foi sancionada pela equipa de arbitragem. O videoárbitro teria de ter tido intervenção neste lance e o jovem central do Benfica deveria ter visto cartão vermelho pelo seu comportamento.

Outro comportamento violento que deveria ter sido castigado com cartão vermelho aconteceu aos 94 minutos e teve como interveniente Bruno Fernandes. O médio do Sporting, sem qualquer interesse ou possibilidade de jogar a bola, pontapeou pelas costas e de forma violenta as pernas de Cervi. A falta foi bem assinalada por Carlos Xistra. A cor do cartão foi a errada. Expulsão clara por efectuar.

Para terminar uma noite infeliz da arbitragem aconteceu mais um erro que, por norma, não tem grande influência: uma falta sobre o guarda-redes que foi mal assinalada. Aos 97 minutos, Rui Patrício saltou para agarrar a bola e, após chocar com um colega de equipa, deixou-a escapar. Carlos Xistra apitou de imediato uma falta que não aconteceu. Errou. A bola ainda acabou dentro da baliza do Sporting mas já o jogo havia sido interrompido.

O Benfica foi prejudicado pela arbitragem. O Sporting também. Quem saiu mais prejudicado? O futebol.

Carlos Xistra não está, seguramente, feliz com o trabalho que realizou. É um árbitro experiente, que vai ultrapassar este jogo para regressar ao seu nível na próxima época. Os clubes vão continuar a discutir arbitragens, influências, pressões, jogadores comprados, malas, etc. Não deixa de ser curioso que, como quase sempre acontece, seja praticamente consensual que a equipa mais regular e que melhor futebol jogou, tenha sido campeã.

Parabéns ao FC Porto pelo título de campeão. Um comentador de arbitragem pode dizer isto, certo?...