Adolescente violada e queimada é o segundo caso nos últimos dias

Indignação face ao aumento de crimes sexuais levou à introdução da pena de morte para violações de crianças no país.

Manifestação de activistas indianas contra a violação de mulheres na Índia, em Abril de 2018
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Manifestação de activistas indianas contra a violação de mulheres na Índia, em Abril de 2018 LUSA/SANJEEV GUPTA

Uma adolescente de 17 anos está em estado grave depois de ter sido violada e queimada na sexta-feira passada em Pakaur, no estado indiano de Jharkhand.

A vítima está hospitalizada depois de ter sofrido queimaduras de primeiro grau em 70% do corpo, existindo ainda "uma hipótese de que sobreviva", disse nesta segunda-feira a superintendente da polícia de Pakaur, Shailendra Barnwal, citada pela AFP. A adolescente foi atacada com querosene – um composto químico derivado do petróleo.

A causa do crime foi um pedido de casamento rejeitado. "O suspeito disse-nos que queria casar-se com a vítima, mas ela não estava preparada", disse Barnwal, citada pela estação televisiva BBC. Segundo a mesma fonte, o homem, de 19 anos, que vive no mesmo bairro da vítima, terá esperado que esta ficasse sozinha e invadiu-lhe a casa, tendo-a violado e queimado. Os vizinhos ouviram os gritos e levaram-na para o hospital, conta a BBC.

Na sexta-feira, outra adolescente indiana de 16 anos morreu depois de ter sido violada e queimada viva também em Jharkhand. De acordo com a polícia, o principal suspeito e os seus cúmplices terão ateado fogo à casa dos pais da rapariga com ela lá dentro, depois de ter sido condenado pelo conselho de anciãos da aldeia a fazer cem flexões e a pagar uma multa de 50 mil rupias indianas (623 euros) pela violação, de acordo com o jornal britânico Guardian. Outras 14 pessoas, incluindo um membro da autoridade máxima da vila, foram detidas no sábado. 

Asifa e uma onda de indignação

Em Janeiro, uma rapariga muçulmana de oito anos, Asifa Bano, foi violada por três homens hindus durante quatro dias e depois assassinada na região de Jammu e Caxemira. Centenas de pessoas manifestaram-se a favor dos acusados, pelo que o Supremo Tribunal decidiu, nesta segunda-feira, que o julgamento vai ser realizado no Punjab (um estado do Noroeste da Índia que faz fronteira com Jammu e Caxemira) devido à tensão religiosa entre as comunidades. 

O aumento dos crimes sexuais na Índia provocou uma grande indignação junto da população. Após a onda de protestos motivada pelo caso de Asifa, o Governo indiano aprovou uma emenda à legislação com vista à introdução da pena de morte para os crimes de violação de raparigas com menos de 12 anos.

Em 2016, cerca de 40 mil casos de violação foram registados na Índia. Porém, o número real poderá ser mais elevado. As autoridades acreditam que muitos casos não são relatados devido ao estigma social associado à violação e agressão sexual.

Os dados mais recentes divulgados pela polícia de Nova Deli indicam que mais de cinco mulheres foram violadas por dia na capital indiana durante os primeiros meses de 2018. Desde o início deste ano e até 15 de Abril foram registados 578 casos de violação no país, face a 563 durante o mesmo período em 2017, de acordo com dados citados pelo jornal India Times.

Texto editado por Maria Paula Barreiros