Reportagem

Um dia azul e feliz

Euforia marcou o dia da consagração dos “azuis-e-brancos”. Comerciantes e adeptos tiveram o melhor jogo do ano.

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LUSA/MANUEL FERNANDO ARAÚJO

Logo ao início da tarde, nas imediações do Estádio do Dragão, as buzinadelas davam o tom festivo que iria pautar o dia. Que foi de sol, céu muito azul e felicidade imensa, nos corações portistas. Numa pequena banca situada no topo da Alameda dos Campeões Europeus, ladeada por cachecóis e bandeiras, Dalila de Jesus, com 83 anos de idade, apregoava os seus artigos: “Olha o cachecol a cinco euros. Escolha, jóia, escolha!”.

Natural do Porto, vende adereços do FC Porto há mais de 60 anos, como tem orgulho de dizer: “Vendia no antigo Estádio das Antas, num tempo em não havia quase ninguém a vender. Agora há muitos vendedores e dá menos para cada um”, lamenta. Apesar da idade avançada, Dalila, um reflexo de tempos antigos, não quer deixar aquela que foi a actividade de toda uma vida: “Estarei aqui todos os jogos, enquanto Deus quiser e me der força nas pernas!”.

No estádio, um speaker ia puxando pelos muitos milhares de portistas que já se encontravam no Dragão. Na zona das bilheteiras, apesar de os ingressos para a partida estarem esgotados há vários dias, ainda havia alguns adeptos que tentavam alcançar um cobiçado bilhete. Um dos poucos homens que ainda tinha bilhetes para vender dizia o preço sem se engasgar: “Vendo cada um a 100 euros”. Indo ao bolso, mostrava apenas dois ingressos, de sorriso nos lábios: “Já vendi quase tudo”.

A busca que para muitos acabou em frustração, não teve o mesmo desfecho para cinco jovens dos Açores. Marcaram passagem aérea na quinta-feira, com esperança de que o derby lisboeta não acabasse em empate e o jogo deste domingo fosse decisivo. O facto de já não existirem bilhetes disponíveis não foi problema: “Sabíamos que os bilhetes esgotaram logo, mas quisemos vir na mesma”, diz sorridente André Correia, um dos cinco rapazes, todos naturais de São Miguel. A passagem custou 300 euros, o bilhete outros 80, mas, para os jovens, esta é uma aventura que já valeu a pena pelo facto de terem garantido entrada no estádio, no próprio dia do jogo.

“Fogaceiros” fizeram parte da festa

O “mar azul-e-branco” que Sérgio Conceição tanto pediu ao longo da época chegava em peso ao Estádio, com a aproximação da hora da partida. “Campeões, campeões, nós somos campeões” e o “Penta Xau” foram as músicas mais entoadas antes do jogo. Mas — também eles de azul — os adeptos do Feirense marcaram presença em grande número nas bancadas do Dragão e esperavam que a equipa conseguisse obter pontos fundamentais para a permanência na Liga.

Na porta de acesso à bancada visitante, um grupo de adeptos de Santa Maria da Feira aguardava pela abertura das portas, com adereços do FC Porto à mistura: “Temos simpatia com o FC Porto, gostamos do FC Porto, mas primeiro está o Feirense”, diz Brízida Guedes, mãe de Diga, defesa titular pelos “fogaceiros” no Dragão. Já o marido, e pai do jogador, António Almeida, diz que, à festa do FC Porto, a vitória do Feirense tornava a festa “de todos”.

Claques agradecem a Conceição

Na entrada das equipas no relvado, as duas claques criaram coreografias que ocuparam toda a bancada. No topo sul, os Super Dragões lembraram o “polvo” de que falaram ao longo da época, referindo o título conquistado como a “estocada final” que acabou com a hegemonia das "águias". No topo Norte, reduto do Colectivo 95, a mensagem foi de agradecimento a Sérgio Conceição, técnico dos “dragões”, por ter “restaurado os valores” do clube.

A festa “azul-e-branca”, à semelhança do sábado, prolongou-se pela noite fora. Após a recepção do troféu, os jogadores portistas, no exterior do estádio, festejaram junto aos adeptos. Nesta semana, novas celebrações vão parar a cidade do Porto, desta vez com a recepção da equipa na câmara. Texto editado por Álvaro Vieira