"Ele não é nosso czar!" — Navalni detido em protesto contra quarto mandato de Putin

Centenas de detenções em manifestações em várias cidades russas antes da tomada de posse, na segunda-feira, de Vladimir Putin.

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Policia prende manifestantes em Moscovo SERGEI ILNITSKY/EPA
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Entre as mais de mil pessoas que foram detidas neste sábado durante manifestações contra o Presidente por toda a Rússia está Alexei Navalni, o principal opositor de Vladimir Putin, que na segunda-feira tomará posse para o quarto mandato presidencial.

Habituado a estas situações, tendo sido já detido várias vezes pelas autoridades russas por organizar acções de protesto do género, o político e blogger foi filmado a ser levado para uma carrinha de polícia, carregado em peso pelos braços e pelas pernas, durante os protestos na capital, Moscovo.

Já na sexta-feira, vários manifestantes anti-Putin tinham sido detidos em manifestações em várias cidades da Rússia, principalmente no extremo Oriente e na Sibéria.

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Activistas ligados a Navalni colocaram online fotos de protestos com centenas de manifestantes nestas regiões, e uma organização de defesa dos direitos humanos chamada OVD Info diz que pelo menos 1000 pessoas foram detidas em todo o país, diz a Associated Press, e que, só em Moscovo, aconteceram 500 dessas detenções.

Um porta-voz da polícia informou que cerca de 1500 pessoas saíram às ruas da capital russa, segundo cita a agência Interfax. Porém, a Reuters estima que o número seja bem superior tendo em conta a dimensão da multidão de manifestantes.

Ouviram-se palavras de ordem como "abaixo o czar" e "Rússia sem Putin". A maioria dos manifestantes são muito jovens.

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Navalni na manifestação REUTERS/Stringe

Neste sábado, a dois dias da tomada de posse de Putin para o seu quarto mandato presidencial, que o poderá deixar no poder, em teoria, até 2024, Navalni apelou a que as pessoas saíssem novamente às ruas para protestarem contra o Presidente, em pelo menos 90 cidades, relata a Reuters. O mote do protesto é "Putin não é o nosso czar".

"Tenho a sensação de que as pessoas se estão a reunir apenas para desabafar e que nada vai mudar", disse um manifestante de 31 anos à Reuters que levava uma máscara de coelho a tapar a cara e com a inscrição "czar dos animais".

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Manifestante a ser detida em Moscovo Tatyana Makeyeva/REUTERS

"Se ficarem em casa, o gang de Putin vai destruir o país e roubar-vos o futuro, a cada um de vocês", tinha dito Navalny, no Twitter. 

“Navalni apareceu na Pushkinskaia (praça em Moscovo) e foi rapidamente detido”, disse Leonid Volkov, da oposição e aliado de Navalni, citado pela Reuters. “A detenção foi absolutamente ilegal”.

Navalni é a principal figura da oposição a Putin, tendo também liderado uma campanha de denúncias de corrupção contra o Presidente e vários responsáveis do Kremlin através, maioritariamente, de vídeos publicados na Internet.

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Manifestantes arrastados pela polícia, ao serem detidos Tatyana Makeyeva/REUTERS

Foi ainda proibido de se candidatar às presidenciais de 18 de Março por ter sido já condenado por fraude e desvio de fundos.

Repórteres da Reuters dizem ter visto a polícia antimotim a deter de forma sistemática manifestantes no protesto de Moscovo, alguns de forma brusca, e a colocá-los em carrinhas de polícia. 

Em São Petersburgo, os manifestantes foram impedidos de chegar à praça central da cidade. Um parque no centro da cidade foi fechado, e colocadas barricadas, para impedir o avanço da manifestação.

A maioria dos manifestantes são jovens. Pavel Kuznetsov, um pensionista de 72 anos, saiu à rua com uma T-shirt com o retrato de Putin com uma coroa de lado na cabeça. Disse à Reuters que foi manifestar-se contra o que classificou como eleições feitas para manter um ditador no poder. "Viemos protestar contra as eleições manipuladas", afirmou.